Síndrome de Asperger: aspectos científicos e educacionais


SÍLVIA ESTER ORRÚ
Doutora em educação. Docente do Programa de Pós-graduação da UNIPAC

  1. Aspectos históricos
    A Síndrome de Asperger foi descrita no ano de 1944 por um médico pediatra de Viena chamado
    Hans Asperger. No início de seus estudos ele nomeou a “doença” como uma psicopatia autística. Seu
    trabalho ficou restrito à língua alemã por muito tempo.

Em 1943, Leo Kanner já tinha descrito, pela primeira vez, 11 casos denominados por ele de distúrbios
autísticos do contato afetivo. Percebeu que havia nestes casos uma “incapacidade de relacionar-se” de
formas usuais com as pessoas desde o início da vida. Kanner também observou respostas incomuns ao
ambiente, que incluíam maneirismos, motores estereotipados, resistência à mudança ou insistência na monotonia. Também observou aspectos não-usuais das habilidades de comunicação da criança, tais como
a inversão dos pronomes e a tendência ao eco na linguagem (ecolalia). Kanner enfatizou a predominância dos déficits de relacionamento social, assim como dos comportamentos incomuns na definição da condição.

No ano de 1981, Wing fez uso do termo Síndrome de Asperger regularmente. Muitos foram os
estudos para a realização da composição dos critérios para o diagnóstico da síndrome. Atualmente, a
Síndrome de Asperger se encontra no conceito dos transtornos do desenvolvimento, sendo entendida como uma variante do autismo no que diz respeito à característica de alto funcionamento. (ORRÚ, 2007)

Integra-se na classificação dos “Transtornos Invasivos do Desenvolvimento,” que é representada por
danos graves e agressivos em várias áreas do desenvolvimento, com prejuízo nas habilidades da interação social recíproca, de comunicação, na presença de comportamentos, nos interesses e atividades
estereotipadas.
Segundo o DSM-IV1:

Os prejuízos qualitativos que definem essas condições representam um desvio acentuado em relação ao nível
de desenvolvimento ou idade mental do indivíduo. Esta seção abarca Transtorno Autista, Transtorno de Rett,
Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno de Asperger e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento sem
outra especificação. (APA, 1995)

A síndrome de Asperger, também incluída nos critérios dos Transtornos Globais do
Desenvolvimento (TGD), de acordo com a OMS (1994) é incerta quanto à sua legitimidade nosológica.
Apresenta uma alteração qualitativa nas interações sociais recíprocas e um repertório de interesses e
atividades restritos, apresentando fala e comportamentos estereotipados e repetitivos.
Sua diferença com
relação ao autismo está no fato de não haver deficiência de linguagem ou retardo do desenvolvimento
cognitivo do sujeito.

1 Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, 4ª edição.

Revista Iberoamericana de Educación / Revista Ibero-americana de Educação
ISSN: 1681-5653

n.º 53/7 – 10/10/10
Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura (OEI)
Organização dos Estados Iberoa-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI)


Sílvia Ester Orrú

Em geral, pessoas com a síndrome de Asperger apresentam-se desajeitadas, com comportamento
estereotipado observado frequentemente na fase da adolescência ou na idade adulta, podendo ou não ser
acompanhado por episódios psicóticos no início da idade adulta.

Segundo Gilberg (1989) apud Steiner (2000:34):

não há diferenças nos fatores neurobiológicos implicados na etiologia da síndrome de Asperger e do autismo,
sendo que a primeira poderia ser uma variante “menos grave” da segunda e que, independente dos critérios
diagnósticos empregados, a utilização do termo “síndrome de Asperger” parece ser mais adequada para
alguns pacientes, enquanto “autismo infantil” parece mais apropriado para outros e o uso de um ou de outro
“rótulo” não significa que a síndrome de Asperger exista como entidade distinta do autismo, ou que o seu
diagnóstico invalide o de autismo.

Gilberg realizou a avaliação de 23 crianças diagnosticadas como síndrome de Asperger e as
comparou com autistas “típicos” pelas características clínicas. Entre as alterações encontradas, destacou-se

o maior agrupamento de distúrbios de relação mútua (sintomas presentes no autismo e na Asperger) nas
famílias dos pacientes com síndrome de Asperger então comparada aos autistas.
Há descrições de diversas alterações de desenvolvimento neurológico e de comportamento em
parentes próximos de autistas, sendo estas recorrências interpretadas como parte de um espectro
fenotípico2 dos transtornos globais do desenvolvimento.

  1. O que é a síndrome de Asperger?
    Em 1944 Hans Asperger descreveu 4 meninos com um mesmo tipo de patologia curiosa e fácil de
    ser reconhecida. Tais crianças apresentavam um distúrbio fundamental nas funções expressivas e
    comportamentos marcantes, não apresentando características físicas diferenciadas.

Para ele, o distúrbio provocava severas dificuldades na interação social onde os problemas sociais
poderiam chegar a ser tão profundos a ponto de prejudicar o processo de desenvolvimento da criança. Por
outro lado, em outros casos, poderiam ser problemas sociais simples que se compensavam pelo alto nível
de originalidade de seu pensamento.

  1. Diagnóstico, conceito da Síndrome de Asperger e sua incidência
    A síndrome de Asperger caracteriza-se por prejuízos na interação social, bem como por interesses e comportamentos limitados, mas seu curso de desenvolvimento precoce está marcado por uma falta de
    qualquer retardo clinicamente significativo na linguagem falada ou na percepção da linguagem, no
    desenvolvimento cognitivo, nas habilidades de autocuidado e na curiosidade sobre o ambiente. (KLIN, 2006)

Segundo Schwartzman, (1995) tanto o diagnóstico para o autismo como para a Síndrome de
Asperger são essencialmente clínico, ou seja, acontecem por meio de observação de características
comportamentais e a análise do histórico do indivíduo. Somente são realizados exames laboratoriais

2 Características de um indivíduo determinadas pelo seu conjunto de genes denominado genótipo.

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quando há suspeita de haver outra condição clínica associada. Os diagnósticos são orientados pelo DSM IV,
DSM IV TR e o CID 10.

As escalas DSM IV, DSM IV TR e o CID 10 para diagnóstico referem-se a déficits de comportamento,
interação social e linguagem. De acordo com o DSM IV (1995) e o CID 10 (1993) o indivíduo com Síndrome de
Asperger apresenta a alteração/disfunção social do autismo na presença de inteligência normal, não
havendo atraso de linguagem. (GHZIUDDIN; LEININGER; TSAI, 1995).

A Síndrome de Asperger costuma ser mais comum em indivíduos do sexo masculino. É comum
encontrá-la em famílias com membros que manifestam os mesmos comportamentos ou sintomas
semelhantes.

Segundo Gillberg (1988) a incidência de Síndrome de Asperger era de 7 para cada 1.000 crianças, na faixa etária entre 7 e 16 anos. Fombonne (2001) apresenta em seus estudos que 1 em cada 150 crianças
apresentaria um tipo de transtorno global do desenvolvimento e, destas crianças, 1 em cada 350
manifestaria a Síndrome de Asperger. Klin (2006) comenta que há 1 indivíduo para cada 200. Entretanto, os
diagnósticos poderiam não ser fidedignos em razão da Síndrome de Asperger ser muitas vezes confundida
com demais desordens como, por exemplo: esquizofrenia e outros transtornos de personalidade. (FOSTER;
KING, 2003)

Suas características estão relacionadas a alterações qualitativas na área da interação social
recíprocra, no desenvolvimento de padrões restritos e repetitivos de comportamento, atividades e interesses,
além de comportamentos estereotipados e fala ecolálica
. (CID 10: F84)

Indivíduos com Sindrome de Asperger costumam se apresentar socialmente isolados, porém, nem
sempre tímidos na presença de outras pessoas. Costumam abordar as pessoas de maneira inadequada e
com certa excentricidade.

De maneira geral desejam fazer amizades, mas pela maneira desajeitada de abordar as pessoas acabam se frustrando. De acordo com Klin (2006, p. 09)

Cronicamente frustrados pelos seus repetidos fracassos de envolver outras pessoas e de estabelecer relações
de amizade, alguns indivíduos com SA desenvolvem sintomas de transtorno de ansiedade ou de humor que
podem requerer tratamento, incluindo medicação. Eles também podem reagir de forma inapropriada ou não
compreender o valor do contexto da interação afetiva, geralmente transmitindo um sentido de insensibilidade,
formalidade ou desconsideração pelas expressões emocionais das demais pessoas. Podem ser capazes de
descrever corretamente, de uma forma cognitiva e frequentemente formalista, as emoções, as intenções
esperadas e as convenções das demais pessoas; no entanto, são incapazes de atuar de acordo com essas
informações de uma forma intuitiva e espontânea, perdendo, dessa forma, o ritmo da interação. Sua intuição
pobre e falta de adaptação espontânea são acompanhadas por um notável apego às regras formais do
comportamento e às rígidas convenções sociais. Essa apresentação é responsável, em grande parte, pela
impressão de ingenuidade social e rigidez comportamental, que é tão forçosamente transmitida por esses
indivíduos.

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Estas são as características que mais evidenciam o indivíduo com a Síndrome de Asperger:

• Aparecimento dos sintomas -“Dificilmente reconhecida antes dos 3 anos de idade, em geral o
diagnóstico ocorre por volta dos 5 ou 6 anos e muitas vezes com suspeita de superdotação.
(SCHWARTZMAN, 1992)
• Habilidades motoras -Desenvolvimento motor normal, mas com algumas inabilidades
psicomotoras, dando um aspecto de desajeitado (GILLBERG, 1993; KLIN, 2003)
• Processos perceptuais -Percepção sempre dirigida ao todo/excelente memória associada.
(ASPERGER, 1944; DSM IV, 1995)
• Contato visual -Superficial, mas sempre presente. (ASPERGER, 1944; KLIN, 2003;
SCHWARTZMAN, 1992)
• Desenvolvimento social – “Comunica-se socialmente de forma espontânea, mas decora” as
regras do jogo social (KLIN, 2003; SCHWARTZMAN, 1992)
• Padrões de jogos/interesses -Explora objetos adequadamente desde o início do
desenvolvimento. Possui interesses específicos, restritos e não usuais. (ASPERGER, 1944; DSM IV,
1995)
• Fala/linguagem -Geralmente não há atraso no aparecimento da fala, que costuma ser
pedante e pouco usual à idade. Há fala estruturada gramaticalmente, mas com alterações
pragmáticas (MARTIN; MACDONALD, 2003; PASTORELLO, 1996)
• Desenvolvimento da leitura e da escrita -Desenvolvimento espontâneo e em idade precoce
(hiperlexia) em grande parte dos casos. (SCHWARTZMAN, 1992)” (LOPES-HERRERA, S.A., 2005, p.
24)
O traço mais marcante da Síndrome de Asperger faz com que esse indivíduo seja tão fascinante. É a
área de interesse restrito que tem de forma idiossincrática. Tais interesses são mais frequentes e
relacionados a áreas intelectuais bem específicas.
(BAUER, 1995)

  1. Critérios internacionais para o diagnóstico da Síndrome de Asperger
    O DSM-IV e a CID 10 são critérios internacionais para o diagnóstico da Síndrome de Asperger. De
    acordo com a CID 10:

É um transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações
sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito,
estereotipado e repetitivo. Ele se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha de
um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam
este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e
idade adulta. O transtorno se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade
adulta.Psicopatia autística. Transtorno esquizóide da infância. (CID 10, F 84.5)

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  1. Tratamento do indivíduo com Síndrome de Asperger
    Em razão da Síndrome de Asperger ser ainda recente no desenvolvimento da Psicologia e da
    Psiquiatria, há muito ainda o que ser feito e conhecido. Claro está que quanto antes se der a forma de
    tratamento, melhor será para esse indivíduo. A princípio o tratamento implicará o nível psicoterapêutico,
    educacional e social.

Muitas crianças e adultos com Sindrome de Asperger não necessitam de fármacos, enquanto
outros, para serem tratados somaticamente, uma vez que não existem fármacos específicos para esta
desordem, são utilizados os psicofármacos para tratar os problemas de crianças com Síndrome de
Asperger.

Todavia, a maioria dos psicofármacos tem efeitos secundários e o risco de adição pode ir contra o
processo terapêutico e é necessário pôr atenção nesse processo, pois o risco é maior em crianças. Para
tanto, é imprescindível um acompanhamento com um médico que conheça a síndrome e tenha experiência
em tal tratamento.

  1. As dificuldades com os déficits de linguagem
    Asperger (1944) comenta que havia criatividade nos padrões de linguagem, pois as crianças faziam
    uso de palavras que pareciam não fazer parte de seu cotidiano, eram expressões rebuscadas, dando a
    impressão de que eram “pequenos lordes” conversando.

As crianças também demonstravam ter habilidade em perceber situações e eventos de outro
prisma, muitas vezes evidenciando certa maturidade. Seus interesses não eram os mesmos das crianças com a mesma idade, costumavam ser diferentes, como exemplo, em ciências naturais ou astrologia.

Com relação ao desenvolvimento da linguagem há controvérsias quanto à existência de um
desenvolvimento normal ou de um pequeno atraso no aparecimento da linguagem verbal (HOWLIN, 2003).
Em muitos casos as crianças iniciariam sua fala antes dos 3 anos de idade, demonstrando bom
desenvolvimento dos aspectos formais da linguagem, mas também manifestariam uma fala pedante, como
aos indivíduos com Síndrome de Asperger (PASTORELLO, 1996). Também evidenciaria uma fala ecolálica,
repetitivamente marcante em meio aos diálogos. A entonação da fala poderia aparecer sendo um pouco
melódica.

Os indivíduos com Síndrome de Asperger preferem a comunicação verbal, deixando de lado outros
meios comunicacionais, uso de gestos. Todavia, manifestam dificuldade na comunicação baseada apenas
no olhar, aparentando não compreender as expressões faciais da outra pessoa com quem está
conversando.

Segundo Bowler (1992) haveria também alterações, falhas na interpretação das relações de
significado de estímulos verbais e não verbais atreladas a falhas na “recepção, discriminação, classificação
e organização de estados mentais da outra pessoa”.

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Orrú (2007) comenta que indivíduos com transtornos invasivos do desenvolvimento, no caso,
pessoas com autismo e síndrome de Asperger costumam apresentar comumente dificuldades com relação
aos significados das palavras como percebidos tanto na comunicação verbal como na não verbal. Como
consequência, a pessoa com Síndrome de Asperger apresenta certa dificuldade ou em muitos casos, uma
incapacidade cognitiva para demonstrar seus desejos, intenções, sentimentos e crenças a outras pessoas e
com relação a si mesmo.

De acordo com Schwartzman (1992), os indivíduos com Síndrome de Asperger também costumam
apresentar interesses peculiares o que dificulta seu campo de interação social. Interesses de conversas
referentes à astrologia, à matemática, às artes entre outras. Sobre os assuntos que têm prazer leem e
decoram todas as informações possíveis, deixando seus ouvintes abismados com tanto conhecimento.

Ainda sobre a linguagem, muitas crianças com Síndrome de Asperger aprendem a ler
espontaneamente e precocemente. A esta característica damos o nome de hiperlexia. Ela é definida como a habilidade de leitura emergente no período pré-escolar precoce e está associada à compreensão da leitura
e a habilidades gerais de processos semânticos (associação de significados). Entretanto, a estratégia
fonológica e de memorização desenvolvidas não garantem uma compreensão textual plena, com
significado. (MARTOS-PEREZ et alii, 2003)

Segundo Schwartzman (1992), o aparecimento da linguagem em idade normal associada à
hiperlexia ilude os pais a crerem que seus filhos possuem Altas Habilidades, procurando serviços para tal
diagnóstico. Porém, as demais características se comparadas aos critérios diagnósticos para Síndrome de
Asperger e Altas habilidades se mostram distintas.

  1. Alguns dos pressupostos da abordagem histórico-cultural de Vigotski
    A abordagem histórico-cultural de Vigotski3 está fundamentada na participação do outro na
    constituição do sujeito em sua relação com o mundo, por meio da ação mediadora. Ou seja, nenhum ser
    humano deve ser privado de se relacionar com outras pessoas, o ambiente onde as relações sociais são
    privilegiadas é o melhor e o mais adequado, independente desta pessoa ter ou não alguma deficiência.

Segundo Vigotski:

Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num
sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do
ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa.
Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado
nas ligações entre história individual e história social. (VYGOTSKY, 1994:40)

Vigotski nos indica um caminho que pode ser percorrido com a criança, com o aluno com síndrome
de Asperger.

3
Os ensinos de Vigotski permanecem muito atuais ainda hoje, mesmo tendo sido descritos entre 1924 a 1934. A abordagem histórico-
cultural traz contribuições relevantes tanto para alunos com autismo como para aqueles que padecem síndrome de Asperger.

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É no processo de interação entre a criança e seus interlocutores que se dá a aquisição da
linguagem em si, desenvolvendo, deste modo, sua capacidade de simbolizar o mundo que a cerca, para o
outro, dando sentido aos processos de interação social e, para si, na forma internalizada necessária para o
desenvolvimento das funções psicológicas superiores.

Sobre desenvolvimento e aprendizagem, Vigotski diz que são fatos distintos e relacionados, sendo
preciso considerar o nível de desenvolvimento já conquistado e também o nível de desenvolvimento
proximal, ligado à capacidade de resolução de problemas, a partir do auxílio de outras pessoas mais
possibilitadas, indicando que poderá ser autônoma no porvir quando o seu nível de desenvolvimento o
permitir. (VYGOTSKY:1994:118-119)

Na perspectiva da abordagem histórico-cultural, o aluno é sujeito ativo de seu processo de
formação e desenvolvimento intelectual, social e afetivo. O professor cumpre o papel de mediador desse
processo com o proporcionamento e favorecimento da inter-relação (encontro/confronto) entre o sujeito, o
aluno, e o objeto de seu conhecimento, que é o conteúdo escolar.

Nesse processo de mediação, o saber do aluno, enquanto sujeito ativo, é muito importante na
formação de seu conhecimento. O ensino é compreendido como uma intervenção repleta de
intencionalidade, inferindo nos processos intelectuais, sociais e afetivos do aluno, visando à construção do
conhecimento por parte do mesmo, sendo ele o centro do ensino, o sujeito do processo.

A linguagem não é apenas o ato de se comunicar, mas uma ferramenta do pensamento que
encontra sua unidade com o próprio pensamento no significado das palavras. Assim, o trabalho com o
significado traz consigo a realização do processo de generalização durante a busca da apropriação de
conhecimentos por parte do aluno. (VIGOTSKY, 2000: 09)

Com relação ao trabalho com alunos com síndrome de Asperger, na perspectiva da abordagem
histórico-cultural, entendemos que o processo de ensino e aprendizagem desse aluno deve contemplar,
necessariamente, uma criteriosa relação entre mediação pedagógica, cotidiano e formação de conceitos,
possibilitando o encontro/confronto das experiências cotidianas no contexto em que elas ocorrerem para a
formação de conceitos, quer sejam acadêmicos quer não, numa maior internalização consciente do que
está sendo vivenciado e concebido.

Como mediador, o professor deve explorar sua sensibilidade, a fim de perceber quais são os
significados construídos por seus alunos com referência aos conceitos que estão sendo formados, sejam
estes conceitos mais elementares sejam complexos.

Com relação às alterações de conduta e de personalidade de crianças com síndrome de Asperger,
percebe-se maior ênfase na área de compreensão verbal e não verbal, nas expressões corporais,
alterações relacionadas ao déficit simbólico, dificuldades na área emocional e interação social.

É preciso repensar e reorganizar a questão da educação do aluno com síndrome de Asperger, para
que ele seja orientado pela perspectiva do desenvolvimento da linguagem.

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Quando falamos de aprendizagem, entendemos estarem implícitas todas as formas de
conhecimento, não nos limitando tão-somente aos conhecimentos acadêmicos, mas a conhecimentos do
cotidiano, abrangendo, inclusive, as ações de afeto e sentimento e de valor.

As proposições de Vigotski acerca da pessoa com necessidades especiais e seu desenvolvimento
são significativas com relação à determinação da maneira como essa condição (“ser deficiente”) deve ser
compreendida e trabalhada no contexto da educação. Isto lhe confere o direito a seu papel ativo na
construção de seu desenvolvimento, a partir de sua capacidade individual de apropriar-se e de interiorizar
formas sociais de comportamento como participante de seu processo de conhecimento como sujeito
histórico.

Somente assim, essa pessoa passará a ser percebida e compreendida como indivíduo possuidor
de diferentes capacidades e de potencialidades em emergência, as quais devem ser encorajadas para que
se transformem no alicerce do desenvolvimento das funções superiores.

A partir dos pressupostos da abordagem histórico-cultural centrada em Vigotski, podemos perceber
a realidade educacional em que vivemos, muitas vezes impedindo a pessoa com necessidades especiais
de se desenvolver plenamente, devido a conclusões preconceituosas acerca da sua aprendizagem. No
entanto, se ela tiver acesso ao contato com o outro, e à orientação pedagógica adequada e organizada, seu
desenvolvimento poderá ocorrer pelo acesso à cultura que é produzida historicamente.

Nos pressupostos de Vigotski, fica claro que a apropriação do conhecimento é construída de forma
histórica e mediada em sua relação com o professor por meio da linguagem, que é o cerne de tudo o que é
social, que interage, que dialoga, que exerce cidadania.

Dessa forma, compreendemos a necessidade de refletir como pessoas e profissionais sobre a
nossa própria constituição enquanto sujeitos para, finalmente, elaborarmos e trabalharmos dentro de uma
abordagem que releva a história, a cultura, o social como aspectos imprescindíveis na constituição do
sujeito, mesmo sendo este uma criança com autismo, o que nos faz crer que o fator biológico, enfocado nas
Ciências Naturais, não pode ser o determinante para seu desenvolvimento.

Tomando essa concepção de linguagem como um processo de interação e de construção do
sujeito e, inclusive, da própria linguagem em meio à formação social do indivíduo. Para o aluno com
síndrome de Asperger é preciso investir no desenvolvimento de uma linguagem adequada, contextualizada,
num ambiente natural em situações reais de interação social. Dessa forma, é possível trabalhar a
diminuição da ecolalia e do pedantismo em sua fala que não são repletos de significados e compreensão
para um aprendizado pleno.

Sob as ideias de Vigotski, são percebidas as intenções de uma concepção de linguagem que releve
os diversos sentidos que uma determinada palavra pode encontrar na amplitude entre o verbal e o não-
verbal, em que o movimento de elaboração do psiquismo humano seja prioridade para os
condicionamentos institucionais.

Apesar da síndrome de Asperger poder gerar alterações temporárias ou permanentes e que, em
decorrência dela, possam surgir incapacidades refletidas no desempenho e na atividade funcional da
pessoa, os quais implicarão em desvantagens para a sua adaptação e interação com a sociedade, é

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Síndrome de Asperger: aspectos científicos e educacionais

possível haver possibilidades de compensação para se conseguir um desenvolvimento psicológico mais
significativo, nos casos de deficiência e suas consequências. Tal compensação depende da existência de
relações sociais e das mediações semióticas que tornam possível vencer os déficits. (VIGOTSKY, 1989:7)

Numa perspectiva de desenvolvimento e educação tradicional centrada na doença ou nos
sintomas, as condições normalmente encontradas envolvem dificuldades de aprendizagem, de interação e
de comunicação, gerando certa complexidade no que se refere ao trabalho a ser realizado pelo educador.
Entretanto, mesmo em tais circunstâncias, na perspectiva da abordagem histórico-cultural, espera-se um
salto a ser dado por esse indivíduo, a partir do contexto de relações pessoais, das atitudes possibilitadas e
envolventes do educador e da ação mediadora dos signos.

  1. Algumas considerações sobre a linguagem e a construção de
    significados
    O aluno com síndrome de Asperger é um ser humano que deve ser respeitado em seus limites.
    Assim sendo, a linguagem adentra todas as áreas de seu desenvolvimento, orientando sua percepção
    sobre todas as coisas e o mundo no qual está inserido.

É pela linguagem que o aluno com síndrome de Asperger, em seu processo de aprendizagem,
sofrerá transformações em seu campo de atenção, aprendendo a construir ferramentas internas para
integrar todas as informações que recebe.

Pela linguagem, também modificará seus processos de memória, deixando de ser engessado por
uma ação mecânica de memorização, o que facilitará o desenvolvimento de uma atividade consciente que
organiza o que deve ser lembrado.

A linguagem proporcionará ao aluno com síndrome de Asperger maior qualidade em seu processo
de desenvolvimento da imaginação. Igualmente, serão constituídas de maneira concreta e contextual as
formas de pensamento que terão maior generalização em seu cotidiano, a partir das experiências
vivenciadas nas relações sociais de onde os conceitos são formulados.

O professor que trabalha com um aluno com síndrome de Asperger, na perspectiva do
desenvolvimento da linguagem, contribuirá como um mediador na reconstituição e na melhora da vivência
emocional de seu aluno para que seu ser, muitas vezes revelado em suas ações, transcenda as reações
afetivas imediatas para outras mais duradouras. Do mesmo modo, a linguagem contribuirá para a
compreensão e o estabelecimento de regras que são formuladas nas relações com o outro, no contexto real
e natural e por meio do diálogo.

Sob uma metodologia de ensino, fundamentada na perspectiva do desenvolvimento da linguagem,

o aluno passa a ser compreendido de outra forma, e isso implica ações diferenciadas por parte dos
professores que também se transformam a partir de novos princípios que regem seu papel de mediador.
Deste modo, instrumentos utilizados no processo de ensino e de aprendizagem desse aluno, tal
como a CSA, também devem sofrer modificações em sua utilização, pois serão determinantes nesse

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processo, como instrumentos inseridos no contexto onde as relações sociais e a aprendizagem significativa
acontecem.

  1. Aspectos importantes no processo educacional: política nacional
    brasileira para a educação inclusiva
    É importante se valorizar o desenvolvimento das habilidades sociais tanto no que diz respeito à
    comunicação verbal como à não verbal. Em razão das dificuldades encontradas na síndrome é preciso que
    tudo o que venha a ser ensinado ganhe significado para o aluno com Asperger. Desde modo, desenvolver
    um aprendizado para a interpretação das expressões não verbais e das emoções é crucial para uma vida
    com qualidade social.

Trabalhar a interação social não é simplesmente desenvolver esquemas de ajuda na escola. É mais
do que isto. É orientar os próprios pais a desenvolverem atividades de passeio, por exemplo, onde o aluno
experimente a interação social naturalmente por meio da aproximação a outras pessoas e em situações
diferentes. Isto vem a ser muito importante, principalmente, quando são crianças, dando ênfaze na
adolescência e na juventude.

Quando um indivíduo com síndrome de Asperger não tem o desenvolvimento destas habilidades
de comunicação e de interação social ele pode se acometido de períodos mais frequentes de depressão em
razão do isolamento em que vive. Para tanto, a inserção em grupos sociais da mesma faixa etária é uma
maneira de ajudá-los.

O Brasil é signatário de documentos internacionais4 que definem a inserção de todos na sociedade,
tendo em vista uma educação de qualidade para todos. O princípio da educação inclusiva é justamente
trabalhar as diferenças e o aluno com síndrome de Asperger precisa do contato com seus colegas na
escola, porém, não de uma forma ocasional, mas com orientação dos professores, mediando essas
relações e os possíveis conflitos que possam surgir. Os conflitos são próprios do ser humano, logo, não seria
diferente com o aluno com síndrome de Asperger.

É preciso haver uma orientação constante, que o professor aja como um agente mediador para que
os demais professores, pais e colegas compreendam que existe uma desordem de desenvolvimento que
influi no comportamento geral do aluno, consequentemente, o que resulta no seu comportamento muitas
vezes de forma inesperada com relação aos demais alunos.

De acordo com Bauer (1995), o aluno com síndrome de Asperger costuma ser interpretado como
“emocional” ou “manipulativo”, porém, é importante que o professor não se deixe levar por tais aparências,
até mesmo inerentes a síndrome em alguns indivíduos. É necessário compreensão e desenvolver um
trabalho educacional individualizado, perante os demais colegas em determinadas situações.

4 Declaração de Salamanca (1994). Declaração da Guatemala (1999). Declaração da Tailândia (1990).

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Síndrome de Asperger: aspectos científicos e educacionais

Recordando Asperger (1944):

Estas crianças frequentemente mostram uma surpreendente sensibilidade à personalidade do professor (…) E
podem ser ensinados, mas somente por aqueles que lhes dão verdadeira afeição e compreensão. Pessoas
que mostrem delicadeza e, sim, humor. (…) A atitude emocional básica do professor influencia, involuntária e
inconscientemente, o humor e o comportamento da criança.

Em sua política nacional para a educação inclusiva, o Brasil apresenta leis importantes para firmar
uma educação de qualidade para todos. Tomando como base a LDBEN 9394/965, A Declaração de
Salamanca6 (1994) e a Política Nacional de Educação na perspectiva inclusiva7, o aluno com síndrome de
Asperger deve frequentar escolas em suas classes regulares, todavia devem receber um apoio pedagógico8
como também é previsto na própria LDBEN, quando necessário. O apoio psicopedagógico e os
atendimentos técnicos de outros profissionais da saúde são imprescindíveis para que o aluno com síndrome
de Asperger tenha um desenvolvimento e desempenho com qualidade na escola.

No que diz respeito ao processo de ensino e aprendizagem do aluno, há algumas ações que
auxiliam o professor e o próprio aluno e que podem ser facilmente desenvolvidas em sala de aula.

• O professor deve procurar preparar o aluno com certa antecedência quanto a mudanças
significativas de rotinas já programadas e conhecidas por ele na classe. Por outro lado,
também pensamos que as mudanças na rotina não devem ser motivos de pavor para os
professores. É importante que o aluno aprenda também a lidar com elas e, a saber, que nem
sempre aquilo que estava previsto acontecerá. A rotina em geral é defendida por muitos
profissionais da área de uma maneira super estruturada, mas em nosso trabalho aprendemos
que a rotina pode ser um cárcere para professores, pais e aluno se não for bem trabalhada no
que diz respeito às possibilidades de sua ruptura. Se o aluno com síndrome de Asperger
manifestar um comportamento preso à rotina de tal forma que acabe prejudicando-o, será
necessário desenvolver um aprendizado de desapego a tal rotina, trazendo-o para a realidade
de que nem sempre tudo é possível naquele instante e isso é muito saudável para o aluno
após construir o significado sobre esta situação, o que lhe aumentará o autocontrole e a
autonomia em suas atividades. Logo, a agenda deve ser um instrumento de apoio e de
organização, mas não de peso e impedimentos diversos.
• Construir regras é algo que o ser humano realiza desde o início da história. Faz parte de nossas
vidas. No caso do aluno com síndrome de Asperger não é diferente. O importante é que elas
sejam explicadas em detalhes, pois uma das características deste aluno é entender tudo ao pé
da letra, literalmente. É importante para esse aluno aprender que, embora as regra sejam
construídas e, preferentemente, construídas juntamente com toda a classe, é possível haver
exceções em seu cumprimento, necessidades de mudá-las ou de não segui-las num
determinado momento. Esse aprendizado ajuda a trazer esse aluno cada vez mais para perto
5 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Brasileira, promulgada em 20/12/1996.
6 Documento das Nações Unidas “Regras Padrões sobre Equalização de Oportunidades para Pessoas com Deficiências”, o
qual demanda que os Estados assegurem que a educação de pessoas com deficiências seja parte integrante do sistema
educacional.
7 Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, 09 de outubro de 2007.
8 Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial.

  1. Revista Iberoamericana de Educación / Revista Ibero-americana de Educação
    (ISSN: 1681-5653)

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Sílvia Ester Orrú

da realidade social em que vivemos e, aos poucos, facilitará o seu convívio e sua resposta aos
acontecimentos imprevistos.

• Não há dúvidas de que aprendemos melhor quando fazemos aquilo que nos interessa. Com
esse aluno não é diferente. Tirar proveito de seus temas de interesse canalizando-os para o
processo de aprendizagem é o ideal tanto, para ele como para seu professor. Trabalhar com
temas de interesse próprios é também contribuir para que o aluno construa significados
permanentes e duradouros em seu processo de aprendizagem. Sempre que for possível usar
esses temas como exemplos, em disciplinas em que ele está encontrando dificuldade, pode
ser muito útil e prazeroso. O aluno com síndrome de Asperger precisa aprender a desenvolver
sua criatividade e nada melhor do que partir de seus temas de interesse, sempre ligados aos
objetivos principais da disciplina em sala de aula. É importante que os pais também tenham
consciência disto para colaborar com os professores, em casa, no apoio às tarefas e ao melhor
desenvolvimento do aluno.
• Os sistemas de comunicação alternativa também podem ser úteis para o aluno com síndrome
de Asperger, no que diz respeito a ajudá-lo na organização de suas tarefas em classe e em
casa. Também no compreender determinados conhecimentos novos. Porém, não será
necessário que ele seja preso a esta rotina como defendem alguns profissionais. (ORRÚ, 2007)
A comunicação alternativa e outros símbolos visuais devem cumprir seu papel de ferramenta
em determinados momentos em que o aluno está requisitando. Contudo, não devem ser o
centro do processo de ensino. Por outro lado, trabalhar com imagens de maneira geral,
mapas, símbolos, entre outros, pode ser de grande auxílio dentro de determinada disciplina,
ajudando-o a melhor se concentrar e a construir significados sobre o que lhe está sendo
exposto em determinado momento.
• É muito comum que professores e pais sempre estejam preocupados sobre qual é a melhor
forma de ensinar a seu aluno com síndrome de Asperger. Todavia, muitas coisas são bem
mais simples do que pensamos. Todas as pessoas, independentemente, de terem ou não
alguma necessidade especial, aprendem melhor por meio de uma linguagem de fácil acesso e
com exemplos fundamentados em atividades concretas e circunstâncias reais, naturais. Evitar o
que pode ser dúbio é ótimo para todo e qualquer tipo de aluno. Logo, isto também se aplica a
conceitos abstratos. Quanto mais se puder trabalhar utilizando instrumentos e exemplos reais,
concretos, num ambiente natural para o aluno, melhor será a construção de seu significado
naquilo que está aprendendo pela primeira vez. Isto implica em benefício para todos e é um
princípio do trabalho com a diversidade.
• Muitos professores se preocupam e se perguntam: “Como é que eu devo ensinar ao meu
aluno?” Costumo dizer que é melhor pergunta: “Como é que meu aluno aprende?”. Partir do
conhecimento já adquirido e construir esquemas e estratégias didáticas simples, porém, ricas
em significados pode ser de grande utilidade e sucesso para o professor e o aluno.
• Há ocasiões desconfortantes para o professor quando seu aluno com síndrome de Asperger se
mostra irredutível mediante alguma situação. Muitas vezes é difícil, pois a teimosia, insistência,
falta de controle emocional tornam-se mais fortes do que todas as estratégias que sabemos
aplicar. Os momentos de recreio e de atividades coletivas costumam experimentar este
Revista Iberoamericana de Educación / Revista Ibero-americana de Educação
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Síndrome de Asperger: aspectos científicos e educacionais

ambiente tenso. O melhor neste caso é deixar o aluno se acalmar, chamá-lo para uma
conversa tranquila e lhe explicar o que for preciso, levando-se em conta o ocorrido.

• Também é importante não subestimar esse aluno, pois eles são inteligentes e sensíveis. O
diálogo sempre é o melhor caminho para ajeitar as situações e para trazer crescimento para
todos na comunidade escolar. A compreensão, atenção, mudança de comportamento vêm por
meio do diálogo que traz consigo o entendimento, a criação de significados que começam a
fazer parte da vida de todos nós e assim nossa qualidade de vida social aumenta.

  1. Conclusão
    A Síndrome de Asperger tem sua origem em alterações precoces e fundamentais no processo de
    socialização. (KLIN, 2006) Entretanto, formas adequadas de tratamento e de atendimento educacional
    podem colaborar muito para seu desenvolvimento global. Segundo os parâmetros de Vigotski, a interação
    com outras pessoas e a mediação da aprendizagem são imprescindíveis para que esse indivíduo tenha a
    possibilidade de se desenvolver plenamente em todas as áreas, descobrindo, inclusive, seu maior potencial
    para também oferecer sua colaboração à sociedade à qual pertence.
  2. Referências
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