A Harmonia das Religiões


“A Verdade é uma só, os sábios a chamam por diversos nomes,” declarou há milhares de anos o Rig Veda, um dos mais antigos textos da Vedanta.
Todos buscamos a verdade, afirma a Vedanta, e essa verdade aparece com numerosos nomes e formas. A verdade – a realidade espiritual – permanece a verdade, embora surja com diferentes disfarces e se aproxime de nós vinda de várias direções. “Qualquer que seja o caminho no qual as pessoas viajem, esse é o Meu caminho,” diz o Bhagavad Gita. “Não importa por onde andem, todos os caminhos levam a Mim.”
Se todas as religiões são verdadeiras, por que então tanta luta?
Principalmente em razão da política, e das distorções que as culturas e mentes humanas limitadas impõem sobre a realidade espiritual. O que geralmente é considerado “religião” é uma mistura de coisas essenciais e não essenciais. Como Ramakrishna disse, todas as escrituras contém uma mescla de areia e de açúcar. Precisamos separar o açúcar e deixar a areia: devemos extrair a essência da religião – se a chamamos de união com Deus ou de autorrealização – e deixar o resto para trás. Abracemos tudo aquilo que nos ajude a manifestar nossa divindade, e evitemos tudo que nos afasta desse ideal.
As carnificinas infligidas ao mundo em nome da religião têm muito pouco a ver com a genuína religião. As pessoas lutam por doutrinas e dogmas; não ouvimos falar de alguém que tenha sido assassinado na tentativa de conseguir a união divina! Uma “guerra religiosa” é, na realidade, egoísmo enfurecido em larga escala. Como diria Swami Prabhavananda, fundador da Vedanta Society of Southern California – USA,  sorrindo: “Se você colocar Jesus, Buda e Maomé juntos numa mesma sala, eles se abraçarão; mas, se colocar seus seguidores juntos, eles poderão matar-se uns aos outros!”
A verdade é uma só, mas aparece filtrada pela limitada mente humana. Essa mente vive em uma cultura particular, tem sua própria experiência do mundo e vive em um ponto da história particular. A Realidade infinita é então processada através das limitações de espaço, tempo, causalidade, e, além disso, processada através dos  limites humanos da compreensão e da linguagem. As manifestações da verdade – escrituras, sábios e profetas – necessariamente irão variar de era para era e de cultura para cultura. A luz, quando é refratada através de um prisma, aparece em várias cores, quando observada de diferentes ângulos. Porém, a luz permanece sempre a mesma e pura luz.  Isso também é verdade quando nos referimos à verdade espiritual.
Não queremos dizer que todas as religiões são “quase idênticas”. Isso seria uma afronta à beleza diferenciada e à grandeza individual de cada uma das tradições espirituais do mundo. Dizer que cada religião é igualmente verdadeira e autêntica não significa dizer que uma possa ser substituída por outra, como fazemos com marcas genéricas de aspirina.

Toda Religião tem Uma Dádiva


Toda religião tem uma dádiva específica a oferecer à humanidade; toda religião traz consigo um ponto de vista único, que enriquece o mundo. O cristianismo enfatiza o amor e o sacrifício; o judaísmo, o valor da sabedoria espiritual e da tradição. O islamismo enfatiza a fraternidade universal e a igualdade, enquanto que o budismo advoga a compaixão e a atenção plena. A tradição nativa americana ensina a reverência pela Terra e ao mundo natural que nos rodeia. A Vedanta, ou tradição hindu, enfatiza a unidade da existência e a necessidade da experiência mística direta.
As tradições espirituais do mundo são como diferentes peças de um gigantesco quebra-cabeças: cada peça é diferente e cada peça é essencial para completar todo o quadro. Cada peça deve ser honrada e respeitada, enquanto nos mantemos firmes com nossa peça particular do quebra-cabeças. Podemos aprofundar nossa própria espiritualidade e aprender sobre nossa própria tradição, estudando outras crenças. E de forma igualmente importante: estudar bem nossa própria tradição nos tornará mais capazes  de apreciar a verdade das outras tradições.

Aprofundando-nos em Nosso Caminho


Do mesmo modo que honramos as diversas religiões do mundo e respeitamos seus adeptos, devemos crescer e nos aprofundar em nosso próprio e particular caminho espiritual – qualquer que seja ele. Não devemos explorar um pouquinho de budismo,  um pouquinho de Islamismo e um pouquinho de cristianismo e então tentar um novo prato combinado na semana seguinte. A prática espiritual não é um buffet variado. Se lançarmos cinco variedades de sobremesas num processador de alimentos, o máximo que obteremos será uma miscelânea intragável.
Enquanto a Vedanta enfatiza a harmonia das religiões, ela também dá ênfase à necessidade de mergulharmos profundamente na tradição espiritual de nossa escolha, apegando-nos a ela e trabalhando duro. Parafraseando Ramakrishna, se você quer cavar um poço tem de escolher o local e cavar profundamente até alcançar a água. De nada adianta cavar um monte de buracos rasos.
Enquanto uma vida espiritual pouco profunda é provavelmente melhor que nenhuma, ela, contudo, não nos leva para onde queremos ir: para a liberdade, para a realização de Deus. Quando escolhemos o caminho espiritual que queremos seguir, devemos segui-lo persistentemente até que alcancemos a meta. O importante é que podemos fazê-lo enquanto não apenas valorizamos outras tradições, mas também enquanto aprendemos  com elas.

Diferentes Caminhos: A Mesma Meta

A Vedanta afirma que todas as religiões contém as mesmas e essenciais verdades, embora  o acondicionamento seja diferente. E isso é bom. Cada ser humano do planeta é único. Nenhum de nós, na verdade, pratica a mesma religião. A mente de cada pessoa é diferente e cada pessoa necessita do seu próprio e único caminho para alcançar o alto da montanha. Alguns caminhos são estreitos, outros são largos. Alguns são sinuosos e difíceis, enquanto outros são seguros e tediosos. No final, todos chegaremos ao topo da montanha. Portanto, não devemos nos preocupar se nossos vizinhos se perderem no percurso. Eles também serão bem-sucedidos. Todos necessitamos de diferentes abordagens que combinem com nossas diferentes naturezas.
Apesar das variações exteriores das religiões do mundo, os conteúdos têm mais similaridades que diferenças. Toda religião ensina virtudes morais e éticas similares; todas ensinam a importância da luta espiritual e a necessidade de honrar nossos companheiros seres humanos, como parte dessa luta.
”Assim como diferentes rios têm suas fontes em lugares diversos, mas todos mesclam suas águas às do mar,” diz uma antiga oração sânscrita, “assim também, Ó Senhor, os diferentes caminhos que as pessoas tomam por suas diferentes tendências, embora pareçam diferentes, sinuosos ou retos, todos levam a Ti.”

Por journey

system analyst lawyer journalist ambientalist

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