A NATUREZA INFERIOR EXISTE PARA SERVIR A ALMA


O peregrino que aspira entrar num plano mais elevado da existência, na dimensão sábia e luminosa da vida, tem de se tornar ele mesmo um novo ser humano.

A realidade divina é vista apenas por aqueles que desenvolvem o olhar capaz de a perceber. Essa visão não é física, ela pertence à alma e chega através do coração. Para entrar no mundo divino, o peregrino tem de deixar para trás a pele velha do egoísmo. Esse processo pode ser longo e doloroso. Porém, vivendo com desapego e confiança virá até ele o contentamento.

As amarras da ignorância não nos são colocadas à força. Há uma dimensão em nós que quer ficar presa, mas o verdadeiro eu, a alma imortal, existe livre e o ser humano é feito para voar.

“O Dhammapada” ensina:

“Erga o seu pequeno eu pelo seu eu superior, examine o seu pequeno eu do ponto de vista do eu superior. Assim, autovigilante e atento, você viverá com felicidade, ó bhikkhu [Discípulo].
O eu superior é o senhor do eu inferior; o eu superior é o refúgio do eu inferior; portanto, domine a si mesmo assim como um comerciante domina um ótimo cavalo.” [1]

A natureza inferior existe para servir a alma. Ela se rebela apenas quando descuidamos do nosso dever de educadores. A tarefa não está em usar a violência para exercer domínio.

Aquele que tem seu cavalo como amigo e fiel servidor cuida dele amorosamente. As forças usadas para lhe impor limites são a inteligência, a vontade, o rigor e o respeito. Dessa forma, a natureza inferior coopera e conhece a alegria e a gratidão de servir.

Aspirar ao discipulado é tentar percorrer o caminho do autoconhecimento e do autocontrole. 
Essas são as ferramentas que permitem mergulhar no ser interno e resgatar para este mundo a luz que nunca se apaga. Podemos ler em “O Dhammapada”:

“O sol brilha de dia; a lua brilha de noite. O guerreiro (Kshatriya) resplandece em sua armadura; o brâmane brilha em sua meditação. Mas o Buddha brilha dia e noite, irradiando sua glória.”[2]

A Terra é uma escola. Aspirar à sabedoria é a ferramenta que faz a humanidade crescer e avançar. Tornar o ser humano uma força gloriosa que irradia a compaixão é uma das metas do nosso planeta.

(JMP)

NOTAS:

[1] [2] “O Dhammapada”

Fonte: O Teosofista Março/2015.

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