G7


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Grupo dos Sete
 AlemanhaChancelerAngela Merkel CanadáPrimeiro-ministroJustin Trudeau Estados UnidosPresidenteJoe Biden FrançaPresidenteEmmanuel Macron ItáliaPrimeiro-ministroMario Draghi JapãoPrimeiro-ministroYoshihide Suga Reino UnidoPrimeiro-ministroBoris JohnsonTambém representada: União Europeia[1]Presidente da ComissãoUrsula von der LeyenPresidente do ConselhoCharles Michel

Grupo dos Sete (G7) é o grupo dos países mais industrializados do mundo, composto por: AlemanhaCanadáEstados UnidosFrançaItáliaJapão e Reino Unido, embora a União Europeia também esteja representada. Esses países são as sete economias mais avançadas do mundo, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), os quais representam mais de 64% da riqueza líquida global, equivalente a 263 trilhões de dólares estadunidenses.[2] A grande riqueza líquida nacional e índice de desenvolvimento humano (IDH) extremamente elevado são algumas das principais características dos membros deste grupo. Eles também representam 46% do produto interno bruto (PIB) global avaliado as taxas de câmbio do mercado e 32% da paridade do poder de compra (PPC) global.[3] Em março de 2014, a Rússia foi expulsa do grupo após ter anexado a Crimeia ao seu território, e assim o grupo passou a ter sete integrantes (G7) novamente.[4]

Índice

História[editar | editar código-fonte]

Foi o presidente francês Valéry Giscard d’Estaing que, em 1975, tomou a iniciativa de reunir os chefes de Estado ou de governo da Alemanha, dos Estados Unidos, do Japão, da Itália, do Reino Unido, em Rambouillet, na região de Paris. Foi inicialmente um G6. A ideia era que esses dirigentes se reunissem sem o acompanhamento de um exército de conselheiros, para discutir a respeito das questões mundiais (dominadas na época pela crise do petróleo) com toda a franqueza e sem protocolo, num ambiente descontraído.

Depois do sucesso da reunião de cimeira de Rambouillet, essas reuniões passaram a ser anuais e o Canadá foi admitido como sétimo membro do grupo na cimeira de Porto Rico, em 1976.

Os trabalhos do grupo evoluíram muito ao longo dos anos, levando em consideração novas necessidades e eventos políticos. Esse fórum, que, originalmente, girava essencialmente em torno do ajuste das políticas econômicas de curto prazo entre os países participantes, adotou uma perspectiva mais geral e mais estrutural, acrescentando à sua ordem do dia um grande número de questões políticas e sociais, particularmente na área do desenvolvimento sustentável e da saúde em escala mundial. O caráter informal do grupo permitiu-lhe evoluir sem deixar de ser eficiente e adequado às necessidades.

Avanços das diferentes cimeiras desde 1995[editar | editar código-fonte]

Cada uma das reuniões de cúpula teve as suas particularidades e permitiu ao G7 continuar a evoluir. A reunião de Halifax (Canadá) em 1995 resultou em importantes mudanças no modo de funcionamento do Banco Mundial, do FMI e de outras organizações internacionais.

A cúpula de Lyon, em 1996, possibilitou o lançamento da primeira iniciativa em favor dos países pobres muito endividados (PPTE). A de Denver, em 1997, trouxe a confirmação mais patente do fim da guerra fria, com o convite histórico feito à Rússia, de se unir ao grupo. Nascia o G8. Em 1998, a cúpula de Birmingham foi a primeira do G8; foi nessa reunião também que se adotou o princípio de uma separação entre a cúpula dos chefes de Estado ou de governo e as reuniões dos seus ministros de Relações Exteriores e de Finanças. A reunião de cúpula de Colônia, em 1999, foi a da Iniciativa PPTE reforçada, com um acordo sobre a redução dos encargos da dívida de alguns países mais pobres, somando mais de 37 bilhões de dólares.

Na cúpula de Okinawa (Japão), em 2000, os chefes de Estado e de governo concordaram em conceder um financiamento maior para a luta contra as doenças infecciosas e adotaram uma carta sobre as novas tecnologias de informação e o desnível entre os países na utilização das tecnologias digitas. A cúpula de Gênova, em 2001, estabeleceu a criação de um Fundo Mundial de Luta contra o VIH, a malária e a tuberculose. Aos membros do grupo vieram juntar-se também os chefes de Estado de vários grandes países da África para o lançamento da Nova Iniciativa para a África, conhecida mais tarde como NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África). Com o objetivo de destacar o apoio concedido a esse importante texto, cada um dos chefes de Estado ou de governo nomeou um representante pessoal para a África.

Estes últimos, em entendimento com os dirigentes africanos, elaboraram um Plano de Ação do G7, apresentado em 2002 na reunião de cúpula de Kananaskis (Canadá), texto esse que permitiu a cada um dos membros do G7 comprometer-se firmemente em favor da África, e que definiu as áreas prioritárias em matéria de ajuda para o desenvolvimento. Em Kananaskis, os chefes de Estado ou de governo também anunciaram que importantes trabalhos seriam realizados em matéria de luta contra o terrorismo (particularmente com a implementação da Parceria Mundial contra a Proliferação de Armas de Destruição Maciça e de Materiais Conexos e a adoção de medidas a respeito da segurança dos transportes), de desenvolvimento sustentável e do acesso à educação extensivo a todos. Eles examinaram também um certo número de questões regionais (situação no Oriente MédioAfeganistão, relações entre a Índia e o Paquistão).

Os ministros das Relações Exteriores do G7 endossaram um conjunto revisado de recomendações sobre combate ao terrorismo que previa um compromisso para a total implementação da Resolução UNSCR 1373, da ONU – sobre repressão aos terroristas e suas atividades – e oito recomendações especiais para o Grupo de Ação Financeira – GAFI (Financial Action Task Force – FATF) voltadas para a prevenção e o combate à lavagem de dinheiro. Outras discussões estiveram voltadas para parcerias para o desenvolvimento da África.

Do G7 ao G8[editar | editar código-fonte]

O grupo continuou sendo composto de sete membros até a Rússia, presente como observadora desde o início dos anos 1990, fosse convidada em 1997 a oficializar a sua participação. A primeira cúpula a oito membros ocorreu, portanto, em 1998. Em Kananaskis, os chefes de Estado e de governo tomaram uma decisão histórica ao convidar a Rússia a exercer, em 2006, a presidência do G8 e a sediar pela primeira vez a reunião de cúpula, levando em consideração importantes mudanças econômicas e democráticas ocorridas nesse país nos últimos anos, além do arsenal bélico que possui. A União Europeia também ocupa uma posição de observadora nas reuniões do G7, onde é representada pelo Presidente da Comissão Europeia e ainda pelo chefe de Estado ou de governo do país que estiver exercendo a presidência da União. Em 2014, a Rússia se envolveu em problemas relacionados com a Ucrânia, o que resultou em sua exclusão do quadro do G8, retornando à condição inicial de G7.

Exclusão da Rússia[editar | editar código-fonte]

Em março de 2014, o G8 voltou a ser G7 depois da Rússia ter sido suspensa por consequência das sanções aplicadas por Obama pela anexação russa da Criméia.[5]

Cimeiras[editar | editar código-fonte]

35.ª reunião de cúpula do G8 em Áquila (2009).43.ª reunião de cúpula do G7 em Taormina (2017).44.ª reunião de cúpula do G7 em La Malbaie (2018).

Fazem parte da reunião os líderes dos países-membros. Assim, é um evento internacional que é observado e acompanhado pela mídia. O país-membro que tem a presidência do G7 é responsável por organizar e ser o palco da reunião naquele ano, que tem uma duração máxima de três dias e decorre a meio do ano.

Apesar de ter uma agenda cada vez mais carregada, o G7 conseguiu manter um caráter informal e evitar uma ampla burocratização. Ele não possui secretariado ou regulamento interno aprovado. É o membro do grupo encarregado de exercer a presidência que define a ordem do dia e decide qual a maneira mais apropriada de tratar cada assunto. A presidência sedia e organiza a reunião, age como porta-voz do grupo durante o ano e coordena os trabalhos dos grupos de trabalho; é a ela, por fim, que cabe associar aos trabalhos do G7 a organizações não governamentais (ONGs), instituições financeiras internacionais e outros setores da sociedade civil.

Os preparativos para as cimeiras são realizados através de reuniões que são organizadas apenas no início do ano, nas quais participam os representantes dos chefes de Estado ou de governo. Juntamente com os representantes dos líderes dos outros países do G7, o representante do país roganizador trata durante o ano dos temas que possam fazer parte da ordem do dia, de forma a que os chefes de Estado ou de governo possam concentrar a sua atenção nos pontos essenciais durante a sua reunião. Os chefes de delegação também são encarregados de supervisionar a execução das decisões tomadas na reunião de cúpula.

Cada chefe é assessorado por duas pessoas de seu país, chamados de “sub-chefes”: um sub-chefe para as finanças e outro para as questões externas, encarregados de tratar dos novos dossiês e analisar o estado de evolução dos compromissos anteriores. Além disso, o diretor de assuntos políticos do ministério das Relações Exteriores é encarregado de preparar os dossiês políticos e de segurança destinados à cúpula. Outras reuniões técnicas específicas do G7 podem ser realizadas no decorrer do ano sobre os assuntos tratados.

EdiçãoDataPaís anfitriãoLíder anfitriãoLocalWebsite
Novembro 15-17, 1975 FrançaValéry Giscard d’EstaingRambouillet
Junho 27-28, 1976 Estados UnidosGerald FordSão JoãoPorto Rico
Maio 7-8, 1977 Reino UnidoJames CallaghanLondres
Julho 16-17, 1978 Alemanha OcidentalHelmut SchmidtBonn
Junho 28-29, 1979 JapãoMasayoshi OhiraTóquio
Junho 22–3, 1980 ItáliaFrancesco CossigaVeneza
Julho 20-21, 1981 CanadáPierre Elliott TrudeauMontebelloQuebec
Junho 4-6, 1982 FrançaFrançois MitterrandVersalhes
Maio 28-30, 1983 Estados UnidosRonald ReaganWilliamsburgVirgínia
10ªJunho 7-9, 1984 Reino UnidoMargaret ThatcherLondres
11ªMaio 2-4, 1985 Alemanha OcidentalHelmut KohlBonn
12ªMaio 4-6, 1986 JapãoYasuhiro NakasoneTóquio
13ªJunho 8-10, 1987 ItáliaAmintore FanfaniVeneza
14ªJunho 19-21, 1988 CanadáBrian MulroneyToronto
15ªJulho 14-16, 1989 FrançaFrançois MitterrandParis
16ªJulho 9-11, 1990 Estados UnidosGeorge H. W. BushHoustonTexas
17ªJulho 15-17, 1991 Reino UnidoJohn MajorLondres
18ªJulho 6-8, 1992 AlemanhaHelmut KohlMunique
19ªJulho 7-9, 1993 JapãoKiichi MiyazawaTóquio
20ªJuly 8-10, 1994 ItáliaSilvio BerlusconiNápoles
21ªJunho 15-17, 1995 CanadáJean ChrétienHalifaxNova Escócia
Abril 19–20, 1996
(Reunião especial sobre
segurança nuclear)
 RússiaBoris IéltsinMoscou
22ªJunho 27-29, 1996 FrançaJacques ChiracLyon
23ªJune 20-22, 1997
(Primeira reunião como G8)
 Estados UnidosBill ClintonDenverColorado[2]
24ªMaio 15-17, 1998 Reino UnidoTony BlairBirmingham[3]
25ªJunho 18-20, 1999 AlemanhaGerhard SchröderColônia
26ªJulho 21-23, 2000 JapãoYoshiro MoriNagoOkinawa[4]
27ªJulho 20-22, 2001 ItáliaSilvio BerlusconiGénova[5]
28ªJunho 26-27, 2002 CanadáJean ChrétienKananaskisAlberta[6]
29ªJunho 2-3, 2003 FrançaJacques ChiracÉvian-les-Bains[7]
30ªJunho 8-10, 2004 Estados UnidosGeorge W. BushSea IslandGeórgia[8]
31ªJulho 6-8, 2005 Reino UnidoTony BlairGleneaglesEscócia[9]
32ªJulho 15-17, 2006 RússiaVladimir PutinStrelnaSão Petersburgo[10]
33ªJunho 6-8, 2007 AlemanhaAngela MerkelHeiligendamm,
Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental
[11]
34ªJulho 9-11, 2008 JapãoYasuo FukudaTōyakoHokkaido[12]
35ªJulho 8-10, 2009 ItáliaSilvio BerlusconiÁquila[13]
36ªJunho 25-26, 2010 CanadáStephen HarperHuntsvilleOntário[14]
37ªMaio 26-27, 2011 FrançaNicolas SarkozyDeauvilleBaixa Normandia[15]
38ªMaio 18-19, 2012 Estados UnidosBarack ObamaCamp David
39ªJunho 17-18, 2013 (última reunião como G8) Reino UnidoDavid CameronCondado de Fermanagh[16]
40ªJunho 4-5, 2014 BélgicaHerman Van RampuyBruxelas
41ªJunho 7-8, 2015 AlemanhaAngela MerkelBaviera
42ªMaio 26-27, 2016 JapãoShinzō AbeShima, Mie
43ªMaio 26-27, 2017 ItáliaPaolo GentiloniTaorminaSicília
44ªJunho 8-9, 2018 CanadáJustin TrudeauLa MalbaieQuebec
45ªAgosto 25-27, 2019 FrançaEmmanuel MacronBiarritzNova Aquitânia
46ªCancelado Estados UnidosDonald TrumpCamp David
47ªJunho 11-13, 2021 Reino UnidoBoris JohnsonCarbis Bay

Críticas[editar | editar código-fonte]

Manifestantes tentam impedir que membros do G8 cheguem ao 27° encontro em Gênova, na Itália queimando veículos no caminho principal da reunião.

As maiores críticas ao G7 consideram que o grupo é culpado por problemas como a pobreza na África e nos países em desenvolvimento pela política de comércio, aquecimento global, devido à não implementação de soluções eficazes para combater a emissão de monóxido de carbono, o problema do SIDA, devido à severa política de patentes de medicações, e outros problemas que estão relacionados com a globalização. Os líderes do G7 são pressionados fazer face aos problemas que eles são acusados de criar.

Outra crítica envolve os membros. Ao não incluir a China, a segunda maior economia do mundo, o G7 não mais representa o poder econômico, como quando ele foi criado. A falta de representantes do hemisfério sul mantém muitas críticas dizendo que o G7 na verdade, só quer manter seu poder e influência sobre o mundo.

Os protestos mais fortes dos movimentos de antiglobalização ocorreram no vigésimo sétimo encontro em Gênova, em 2001. As reuniões desde então foram feitas em cidades menores. O dia de abertura da reunião de 2005, na Escócia, foi acompanhada por uma série de atentados sincronizados feitos por terroristas em Londres.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Notícias no Wikinotícias

Referências

  1.  The EU has the privileges and obligations of membership but does not host/chair summits. It is represented by the Commission and Council Presidents. 967. «EU and the G8». European Commission. Consultado em 25 de setembro de 2007. Arquivado do original em 26 de fevereiro de 2007
  2.  Credit Suisse Global Wealth Databook 2013 (PDF). [S.l.]: Credit Suisse. Outubro de 2013. Consultado em 9 de novembro de 2016. Arquivado do original (PDF) em 9 de fevereiro de 2015
  3.  [1]
  4.  G7 suspende Rússia do G8 DW, 24 de março de 2014
  5.  Jim Acosta (25 de março de 2014). «U.S., other powers kick Russia out of G8». C

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