O ILIMITADO É IDÊNTICO AO INDIVÍDUO.


[Disse Yama: ] “O governante da cidade de onze portas é o Ser, cuja luz brilha por sempre. Deixam o sofrimento para trás e são libertados do ciclo de mortes e nascimentos aqueles que meditam no Ser. Este, realmente, é Aquele [que estás buscando]“.

“O Ser é o sol que brilha no céu, o vento que sopra no espaço, o fogo no altar e o hóspede no lar. Ele vive nos seres humanos, nos deuses, na verdade e no vasto firmamento. Ele está no peixe nascido das águas, na planta que cresce na terra, no rio que flui desde a montanha”.

“Aquele que está no coração reina sobre o alento vital. Ante ele, todos os deuses [os sentidos] se inclinam”.

“Quando o habitante do corpo liberta-se das correntes da carne, quem permanece? Este, realmente, é Aquele [que estás buscando]“.

“Não vivemos pelo alento que flui para dentro ou para fora. Vivemos por causa daquele que faz com que o alento vital flua”.

“Agora, ó Gautama, falar-te-ei do Brahman, eterno e invisível, que está presente no Ser, mesmo além da morte”.

“Alguns entram num ventre e encarnam [como animais ou humanos], enquanto que outros permanecem estacionários, [encarnando como vegetais,] conforme é determinado por suas próprias ações e conhecimento”.

“Puruṣa, o Ser perfeito, permanece desperto no sono e inspira os incessantes desejos do sonho. Chama-se Brahman, o Imortal. Alicerce dos mundos, nada é diferente dele. Este, realmente, é Aquele [que estás buscando]“.

“Assim como o fogo, sendo único, assume diversas formas ao consumir diversos objetos, da mesma forma o Ser assume as formas de todas as criaturas, nas quais está presente”.

“Assim como o ar, sendo único, assume diversas formas ao abraçar diversos objetos, da mesma forma o Ser assume as formas de todas as criaturas, nas quais está presente”.

“Assim como o sol, que é o olho do céu, não é manchado pelo defeito em nossos próprios olhos ou pelos objetos que ele ilumina, da mesma forma o Ser, vivendo nos corações de todos, permanece intocado pelos males do mundo, pois tudo transcende”.

A FELICIDADE DE RECONHECER A SI PRÓPRIO COMO ILIMITADO.

“O Ser, presente em todos os seres, multiplica sua própria Unidade. A felicidade eterna acompanha àqueles que percebem o Ser em seus próprios corações. A mais ninguém Ele se revela!”

“Imutável em meio ao que perece, Pura Consciência no coração dos sábios, o Único atende as preces de muitos. A paz eterna é daqueles que percebem o Ser em seus próprios corações. A mais ninguém Ele se revela!”

[Perguntou Naciketas:] “Como posso conhecer àquele Ser, supremo e bem-aventurado, conhecido pelos sábios? É Ele a Luz, ou Ele reflete a Luz?”

[Respondeu a Morte:] “Não brilha o sol, nem a lua ou as estrelas, nem o raio nem o trovão, nem o fogo sobre a terra, sem a presença do Ser. O Ser é a luz por todos refletida. Quando ele brilha, tudo brilha”.

Aqui conclui-se o segundo canto da segunda parte da Kaṭha Upaniṣad.

Parte II
Canto 3

BRAHMAN MANIFESTADO COMO A ÁRVORE CÓSMICA.

“A Árvore da Eternidade, cujas raízes crescem para o céu e cujos ramos crescem para baixo, é o puro, é Brahman, é o que se chama Não-Morte. Todos os mundos derivam Dele, que por ninguém pode ser transcendido. Este, realmente, é Aquele [que estás buscando]“.

O GRANDE TEMOR.

“O Cosmos deriva de Brahman e nele se move. Seu poder reverbera, como um trovão no céu. Aqueles que o realizam, libertam-se da morte”.

“Por temor do Ser, o fogo queima. Por temor do Ser, o sol aquece. Por temor do Ser, a chuva cai e o vento sopra. Por temor do Ser, a morte mata”.

PERCEPÇÃO DE SI MESMO.

“Se a pessoa falhar na tarefa da realização suprema nesta vida antes que o corpo se desintegre, ela deve retornar ao mundo encarnada num novo corpo”.

“Brahman pode ser visto, como num espelho, num coração puro. No mundo dos ancestrais, como um sonho. No mundo dos elementais, como círculos na água. Como a claridade da luz, no mundo de Brahman”.

“Sabendo que os sentidos estão separados do Ser, e sabendo que as experiências deles advindas são impermanentes, o sábio não se aflige”.

“Além dos sentidos está a mente. Além da mente está a razão. Além dela está a individualidade. Além da individualidade está a Causa não manifestada”.

“Além da Causa não manifestada está Brahman, onipresente e sem atributos. Aquele que percebe isto liberta-se do ciclo dos nascimentos e mortes”.

“Ele não tem forma e não pode ser visto com estes olhos. Porém, revela-se no coração purificado pela prática da meditação e o controle sensorial. Aquele que percebe isto liberta-se do ciclo dos nascimentos e mortes”.

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