O que é o Value Investing? Minicurso da Suno Research


Capítulo I – Minicurso De Value Investing Suno Research

O “Value Investing” – ou “Investimento em Valor” – é um conjunto de princípios para investimentos através das bolsas de valores que se coloca como antítese das práticas especulativas nos mercados de capitais.

Para que haja “Value Investing” é necessário que existam investidores cientes da mentalidade de parceria com as empresas, que tratam as ações como instrumentos societários de um empreendimento, ao invés de meramente um título patrimonial com possibilidade de revenda em curto prazo.

O “Investimento em Valor” é uma modalidade associada ao investimento em
longo prazo justamente por considerar que a sociedade numa empresa, expressa

na compra de ações, é resultado de análises fundamentalistas que testificam
possibilidades de êxito dos projetos empresariais estudados– o que dificilmente

se dá num curto espaço de tempo.

ANÁLISE FUNDAMENTALISTA

A análise fundamentalista de uma empresa representa um dos pilares do “Valeu Investing”, uma filosofia de investimentos criada por Benjamin Graham e David Dood, que eram professores da Columbia Business School e escreveram o l
ivro “Security Analysis” em 1934 – uma obra não traduzida para o português.

A popularização do termo se dá a partir de 1949, com o lançamento da obra

prima de Benjamim Graham em 1949: “O investidor inteligente” que ganha

sucessivas edições a cada cinco ou seis anos, até a morte do autor em 1976.

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VALUE INVESTING O QUE É O VALUE INVESTING

Dentre os principais parâmetros da análise fundamentalista dos balanços
financeiros e do fluxo de caixa das empresas estão o P/L (Preço da ação dividido
pelo lucro por ação), o P/VP (Preço da ação dividido pelo Valor Patrimonial
por ação), o P/EBIT (Preço da ação dividido pelo EBIT por ação. EBIT é o Lucro antes
dos Impostos e Despesas Financeiras: uma aproximação do lucro operacional da
empresa), o LPA (Lucro por ação), o VPA (Valor Patrimonial por Ação), a Margem
Líquida (Lucro líquido dividido pela receita líquida), o ROIC (Retorno sobre o Capital
Investido), o ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), a Liquidez Corrente (Ativo
circulante dividido pelo Passivo Circulante: reflete a capacidade de pagamento da
empresa no curto prazo) e a Divida Bruta total, dividida pelo Patrimônio Líquido.

Acima de todos os dados o investidor consciente observa o Dividend Yield: o

dividendo pago por ação dividido pelo preço da ação, significando o rendimento

gerado para o dono da ação pelo pagamento de dividendos.

VALOR INTRÍNSECO VERSUS O VALOR DE MERCADO

O objetivo da análise fundamentalista é encontrar o valor intrínseco
aproximado de um negócio, independentemente do preço de mercado deste
expresso na cotação da ação.

O valor intrínseco de um negócio é o quanto ele realmente vale, somando

seus ativos tangíveis e intangíveis. Já o valor de mercado é altamente influenciado

pela especulação que obedece a lei da oferta e da procura.

A especulação em torno de uma empresa será clara na medida em que

o preço de mercado expresso na cotação da ação for maior que o valor intrínseco
da empresa considerado na análise fundamentalista da mesma.
Quando o contrário acontece: o preço da ação refletindo o valor de mercado
da empresa abaixo de seu valor intrínseco; fica estabelecida a oportunidade
do investimento na empresa, dado que, no longo prazo os valores intrínsecos
e de mercado tendem a se equiparar.

8 MARGEM DE SEGURANÇA

A margem de segurança é identificada pela diferença positiva entre o valor
intrínseco de uma empresa menos o seu valor de mercado. Ou seja,
esta margem é estabelecida sempre que uma empresa é cotada pelo mercado
abaixo de seu valor intrínseco.

Não basta, porém, que a empresa esteja com valores descontados,
se ela não possui fundamentos sólidos que indiquem a correção futura da
precificação de suas ações. Somente empresas de gestão qualificada atuando
em ramos perenes conseguem oferecer margens de segurança para os investidores.

DIVERSIFICAÇÃO

A diversificação é um conceito atrelado à margem de segurança na medida

em que ela mitiga os riscos dos investimentos.

Ao adquirir ações descontadas de empresas variadas, o investidor se protege

de eventuais perdas oriundas de negócios que não atenderem às expectativas de
retorno, embora, com isto, esteja abrindo mão de resultados mais significativos
ao não concentrar os investimentos nas melhores escolhas,
dado que estas nunca se revelam claramente.

Em outras palavras: faça-se a diversificação uma vez que é

praticamente impossível cravar qual será o melhor investimento.

FLUTUAÇÕES DO MERCADO

O mercado de capitais varia através de ciclos de alta e de baixa, observados nos preços das ações.

Quando o otimismo toma conta das bolsas de valores, a tendência
é de crescimento geral nos preços dos ativos.

Quando, porém, o mercado se apresenta pessimista, verifica-se a fuga dos
especuladores que acelera a queda do preço dos papéis, num efeito
multiplicado pelo comportamento de manada que revela também o grau
de volatilidade deste tipo de mercado, em função de eventos de causas externas,
não relacionadas diretamente com a gestão das empresas, como crises políticas
e econômicas.

9


VALUE INVESTING O QUE É O VALUE INVESTING

O investidor de valor, apoiado nas suas análises fundamentalistas, deve se
precaver destas variações, evitando comprar ativos quando todos estão comprando,
esperando justamente as oportunidades de investimento quando a maioria
decide vender suas posições, uma vez que uma empresa não melhora ou piora
conforme a variação da cotação de sua ação, mas conforme os seus fundamentos.

GRANDES INVESTIDORES DE VALOR

Dentre os discípulos de Benjamin Graham e David Dodd, estão os investidores
de sucesso Warren Buffett e Charlie Munger, da Berkshire Hathaway,
além de William J. Ruane, Irving Kahn, Walter Schloss, e Charles Brandes.

No Brasil o grande representante dos investidores de valor é Luiz Barsi Filho.

10


CAPÍTULO 2 MARGEM DE SEGURANÇA


VALUE INVESTING

MARGEM DE SEGURANÇA

2

Margem De Segurança

A Margem de Segurança é a condição básica sem a qual aquele que pratica o “Value Investing” não deve fechar qualquer negócio, seja ele no mercado de capitais ou em qualquer ambiente onde caiba o ato do investimento, como no mercado imobiliário.

Em qualquer transação comercial o princípio da Margem de Segurança
pode ser aplicado e estudar exemplos diversos pode nos ser útil para compreender

o conceito nas operações em Bolsa de Valores.
A TROCA DO AUTOMÓVEL NA CONCESSIONÁRIA

Sempre que alguém intenciona adquirir um veículo zero quilometro numa
concessionária autorizada, terá a possibilidade de entregar seu veículo como
parte do pagamento pelo carro novo.

Para tanto, existe o emprego de duas tabelas de referência: a tabela do

fabricante – que precifica o modelo zero quilometro conforme seus itens de série

e opcionais, e a tabela da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para

a obtenção de referência de preços para veículos seminovos ou usados.

Na concessionária, o vendedor avalia o carro que será usado como parte do pagamento do veículo novo, adotando a tabela Fipe como referência.

Ocorre que dificilmente ele paga o valor apontado na tabela, alegando que terá que fazer uma revisão no carro usado para que o mesmo possa ser posto a venda novamente.

Por exemplo: o carro novo está com valor fixado em R$ 60.000,00 – preço

sobre o qual há pouca margem de desconto. Já o veículo seminovo está avaliado

pela tabela Fipe em R$ 40.000,00, mas a loja propõe aceitar o mesmo no negócio por apenas R$ 32.000,00, 8 mil a menos ou 20%.

O que o lojista está fazendo é impor uma Margem de Segurança,

uma vez que ele possa investir mais R$ 2.000,00 na revisão do veículo, sobre o

qual também deverá ser gerada uma garantia para o futuro comprador, que poderá

ter a sensação de ter feito um bom negócio ao pagar apenas R$ 39.000,00 pelo modelo. Mil reais a menos do que o valor da tabela Fipe.

A tabela Fipe forneceu uma referência de valor intrínseco para o veículo seminovo. A concessionária fez a aquisição do mesmo com uma Margem de Segurança
parcialmente transferida para o comprador final do veículo, cujo valor de mercado
ficou um pouco abaixo do valor intrínseco.

A COMPRA OPORTUNA DE UM APARTAMENTO

Um edifício de apartamentos com vinte andares, localizado próximo ao
centro da cidade, possui três apartamentos para vender, todos com a
documentação em dia e quites com o condomínio.

Dois deles estão anunciados por valores próximos de R$ 700.000,00 e
um deles por apenas R$ 500.000,00 em função da pressa do vendedor em obter a quantia para saudar outras dívidas.

Na região há outros prédios de porte semelhante com apartamentos na
mesma faixa de preços, o que permite ao corretor de imóveis apontar o valor
intrínseco dos apartamentos em R$ 680.000,00.

O desconto de R$ 180.000,00 para o terceiro apartamento equivale à Margem
de Segurança. Quem comprar este apartamento visando revendê-lo sem pressa,
poderá lucrar com a lei da oferta e da procura, estando ciente da oportunidade
aproveitada. Mesmo que o apartamento fique parado alguns meses, consumindo
mensalidades do condomínio, a Margem de Segurança cobrirá tais despesas
e ainda sinalizar um bom negócio.

COMPRAS NATALINAS

O comércio funciona baseado num calendário com datas promocionais.
O período que antecede o Natal sempre pressiona os preços para cima, razão
pelas quais muitos produtos são lançados nesta época do ano.

Um novo modelo de tênis, por exemplo, que normalmente custaria R$ 500,00
é apresentando ao mercado por R$ 600,00.

A pressão psicológica que a festa natalina exerce sobre as famílias de classe média, garante o sucesso de vendas do produto, que entra em liquidação na semana posterior ao evento chave.

O mesmo tênis, que na véspera de Natal custava R$ 600,00 pode ser
encontrado no pós Natal por apenas R$ 400,00. Cem reais a menos do que o preço praticado em outros meses do ano.

Quem consegue refrear o impulso consumista se beneficia com a época
de liquidações que normalmente ocorre após a data mais esperada no fim
do ano. Numa comparação com o mercado de capitais, o investidor
inteligente nunca compra um ativo em lançamento.

Nas ofertas públicas iniciais que as empresas que abrem o capital promovem (IPO) geralmente a cotação da ação está sobrevalorizada e, por isso, muitos investidores de valor esperam por um período antes de considerar o
estudo do papel.

ADOTANDO A CONDUTA CONSERVADORA NA BOLSA DE VALORES

Ao operar com compra e venda de ativos no mercado de capitais, o investidor adepto do “Value Investing” deve ter em mente as metas de desconto que os lojistas de automóveis adotam na compra de carros usados, ao mesmo tempo em que devem gerar caixa através de aplicações em renda fixa, para poder desfrutar de oportunidades de negócios, como por vezes ocorrem no
mercado imobiliário, quando um apartamento é anunciado com um claro
desconto em relação ao seu valor intrínseco.

Por fim, o investidor de valor deve esperar por momentos de liquidações

que ocorrem de tempos em tempos na Bolsa de Valores, especialmente nos
ciclos de baixa.

Ao contrário do mercado de automóveis, no qual há uma tabela de referência
de preços, as cotações das ações na Bolsa de Valores raramente coincidem
com o valor intrínseco das mesmas.

Mensurar tal valor é o desafio do analista de valores mobiliários e será bem

provável que três analistas diferentes apontarão três valores diferentes para
a mesma empresa. A Margem de Segurança, portanto varia de investidor para

investidor, conforme seu perfil defensivo ou agressivo.

O que muitas vezes vemos no mercado de capitais são compradores de ações
invertendo a lógica da Margem de Segurança, fazendo aportes em papéis que
estão valorizando rapidamente, ingressando num ciclo especulativo que acaba,
cedo ou tarde, sendo interrompido abruptamente.


CAPÍTULO 3 GRANDES INVESTIDORES

N ão existe uma “Lei da Gravidade” para investimentos financeiros, no
sentido de haver algo que comprovadamente conduza ao sucesso aplicando
um método que traga resultados esperados.

Os métodos até existem, mas como são exercidos em tempos e lugares
diferentes, por investidores diferentes, os resultados também serão distintos.

Se tais métodos estiverem alinhados com o “Value Investing” as chances
de os resultados serem altamente positivos são grandes, embora impossíveis de

serem replicados cientificamente. Isso não impede de citarmos grandes nomes de

analistas de valores mobiliários adeptos do “Value Investing”.

As trajetórias de seus investimentos indicam um caminho seguro para
os novos investidores, que deverão estar cientes de que o percurso consumirá
décadas de paciência e disciplina, antes de produzir efeitos consistentes.

Todos os nomes a seguir são de discípulos diretos e indiretos de BenjaminGraham e David Dood, os precursores das análises fundamentalistas das empresascom vistas a determinar as margens de segurança a partir da identificação de

descontos na relação dos valores de mercado e dos valores intrínsecos das mesmas.

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VALUE INVESTING GRANDES INVESTIDORES

WARREN BUFFETT E CHARLIE MUNGER

Warren Buffett e Charlie Munger estão à frente da Berkshire Hathaway

– uma empresa que originalmente era focada no setor têxtil em Omaha,
a capital do Nebraska nos Estados Unidos.
Quando Buffett tornou-se o controlador da Berkshire no final da década de
1960, ele mudou o perfil da empresa e através dela, tendo Charlie Munger

como principal escudeiro, passou a fazer investimentos em grandes empresas,
cujas ações eram compradas sempre com descontos, respeitando o critério da
Margem de Segurança.

Desde 1970 Buffett escreve cartas anuais aos acionistas da Berkshire Hathaway.

Através delas expressa sua visão de negócios e explica suas tomadas de decisões,
entre elas as aquisições de ações de empresas como Washington Post Company
e Coca-Cola Company.

Após décadas de investimentos, Buffett e Munger figuram entre os

investidores mais ricos e bem-sucedidos de todos os tempos, fazendo deles

também grandes filantropos.

Em 2006 Buffett anunciou que doaria 85% das ações da Berkshire para cinco

fundações diferentes, entre elas a própria Fundação Buffett e principalmente

para a Fundação Bill e Melinda Gates, do casal fundador da Microsoft.

WILLIAM J. RUANE

William J. Ruane formou-se em Engenharia Elétrica pela Universidade de
Minnesota em 1945 com apenas 20 anos de idade. Estudou também na

Harvard Business School onde se graduou em 1949.

Ruane fundou sua própria firma de investimentos em 1970, a Ruane &
Cunniff, em parceria com Rick Cunniff, lançando no mesmo ano o
Sequoia Fund. 34 anos depois a empresa foi renomeada para Ruane,
Cunniff & Goldfarb, após Robert Goldfarb tornar-se o presidente da mesma.

Em 1992, Ruane adota uma extensa área do Harlem em Nova York, com vistas

a revitalizá-la, reformando prédios e implantando clínicas, além de programas
de serviços comunitários.

O investidor concedeu a cada criança do entorno uma bolsa de estudos para

uma escola católica. Ele também financiou programas em escolas públicas

e contribuiu para causas de saúde mental.

17


VALUE INVESTING GRANDES INVESTIDORES

Ruane morreu de câncer em 2005, aos 79 anos de idade, mas sua firma de
investimentos continuou. Em 2008, o Sequoia Fund anunciou que abriria
seu fundo para novos investidores pela primeira vez desde 1982.

IRVING KAHN

Irving Kahn alcançou a impressionante marca de 109 anos de idade, falecendo
em fevereiro de 2015, tendo sido o investidor mais velho do mercado de
capitais dos Estados Unidos.

Sua primeira operação em Bolsa ocorreu em 1929, pouco antes do famoso
crash que mergulhou o país numa profunda recessão. Kahn trabalhou
como professor assistente de Benjamin Graham na Columbia Business
School, tendo sido membro fundador da New York Society of Security Analysts
e do Financial Analysts’ Journal.

Em um artigo publicado em 2002, ele teve a seguinte frase destacada:

“Estou num estágio da vida onde tenho muito prazer em encontrar uma
ação barata”.

Aos 97 anos, suas pesquisas por bons negócios ainda o motivavam para

trabalhar até tarde da noite e mesmo nos fins de semana.

WALTER SCHLOSS

Ao contrário de seus pares, Walter Schloss não teve formação universitária,
embora tenha servido por quatro anos no Exército dos EUA durante a Segunda
Guerra Mundial.

Ele iniciou sua carreira aos 18 anos de idade, m 1934, aos 18 anos, como corredor

em Wall Street, passando a estudar cursos sobre investimento ministrados por

Benjamin Graham no New York Stock Exchange Institute, até que finalmente
começa a trabalhar para Graham na firma Graham-Newman.

Em 1955, Schloss funda sua própria empresa de investimentos, na qual chega

a administrar recursos para 92 investidores.

A carteira de ativos de Schloss progride com médias anuais de retorno de mais

de 15% ao longo de quatro décadas e meia.

Schloss, como filantropo, foi tesoureiro da Freedom House e fechou seu fundo
no ano 2000. Morreu de leucemia aos 95 anos de idade, em 2012.

18


VALUE INVESTING GRANDES INVESTIDORES

CHARLES BRANDES

Nascido no começo da década de 1940, Charles Brandes forma-se em Economia

pela Universidade de Bucknell, tendo realizado estudos também na
San Diego State University.

Seu patrimônio pessoal está avaliado em mais de um bilhão de dólares e seu
fundo de investimentos (Brandes Investments) alcançou médias próximas a
19% num intervalo de vinte anos.

LUIZ BARSI FILHO

Formado em Economia, Luiz Barsi Filho é o representante brasileiro desta classe
de investidores adeptos do “Value Investing”.

Ele, no entanto, realiza suas operações na condição de pessoa física, sem gerir
um fundo de investimentos ou operar através de pessoa jurídica.

Sua carreira de investidor começou no final da década de 1960, na Bolsa de

Valores de São Paulo.

Suas primeiras aquisições foram ações da CESP – Companhia Energética do
Estado de São Paulo.

Seu foco, desde o princípio, era formatar uma carteira previdenciária baseada
na renda passiva através dos dividendos.

Deste modo, Barsi amealhou um patrimônio superior a um bilhão de reais em

curso no mercado de capitais brasileiro.

Entre os ativos de sua carteira estão ações do Banco do Brasil, da Klabin, da
Taesa e da Unipar, entre outras. Sua preferência se dá por empresas de grande
porte com historio sólido de distribuição de dividendos.

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CAPÍTULO 4

A
“FÓRMULA MÁGICA”
PARA
BATER O MERCADO


A “FÓRMULA MÁGICA” PARA BATER O MERCADO

VALUE INVESTING

4

A “Fórmula Mágica”
Para Bater
O Mercado

Capítulo 4 – Minicurso De Value Investing Suno Research

E
E
laborar uma análise fundamentalista para uma empresa pode ser uma
tarefa complexa demais para leigos que não sabem como podem
ingressar no mercado de capitais. São tantos fatores a considerar
que o tempo que eles exigiriam de investidores comuns seria maior
do que o disponível para uma tarefa tão decisiva.

Por isso investidores contratam analistas de valores mobiliários ou
assinam serviços de assinatura com casas de pesquisa
sobre investimentos.

Joel Greenblatt, professor da Columbia Business School em Nova York,
debruçou-se sobre o desafio de propor um método para investimentos
que fosse tão simples que até seu filho pequeno poderia ser bem sucedido

com operações em Bolsa de Valores.

Como gestor do fundo de investimentos Gotham Capital, Greenblatt
reunia atributos suficientes para publicar um livro em 2006 com um nome
provocativo: “The little book tha beats the market” – que em português

seria algo como “O pequeno livro que bate o mercado”.

Nesta obra, Greenblatt apresenta a “Fórmula Mágica” – um nome
igualmente provocativo que reflete o compromisso de encontrar

empresas sólidas que estejam com as cotações das ações abaixo do seu
valor intrínseco. Por isso, a “Fórmula Mágica” de certo modo está alinhada
com o “Value investing”, ao propor a compra de ações que respeitem o

critério da “Margem de Segurança” de um modo simplificado.

21


VALUE INVESTING A “FÓRMULA MÁGICA” PARA BATER O MERCADO

Embora não reflita integralmente os conceitos de Benjamin Graham,
Greenblatt concorda que o mercado é composto por agentes que
precificam as ações de modo irracional, sobrevalorizando ou desvalorizando
as empresas por motivos especulativos.

O que a “Fórmula Mágica” oferece, é um modo simples de identificar as

empresas que estão operando com descontos no mercado de capitais.

O RETORNO SOBRE O PATRIMÔNIO LÍQUIDOE RAZÃO ENTRE PREÇO E LUCRO DA AÇÃO.

Para tanto, o autor considera apenas dois índices em suas análises: o

RPL ou ROE que determina o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa;
e a razão entre preço e lucro, o P/L que por sua vez divide o preço da ação
pelo lucro líquido por ação. O P/L indica o número de anos que o investidor

pode levar para reaver o capital aplicado na ação.

Greenblatt combina estes dois fatores num ranking para encontrar as empresas
que estão com boa saúde financeira, através do RPL alto, ao mesmo tempo em
que operam com ações descontadas, através do P/L baixo.

O ranking da “Fórmula Mágica” é determinado a partir de duas listas.

A lista do P/L é coletada do menor para o maior resultado. Já a lista do RPL

é ordenada em fator decrescente, do maior para o menor. Cabe ao analista

somar as posições nas duas listas. Os menores valores apontados na soma

das posições revelam as empresas que combinam a saúde financeira

com a “Margem de Segurança”.

Em seu livro, Greenblatt demonstra que o uso de sua “Fórmula Mágica” obtém
um retorno médio anual de mais de 22%, sendo muito superior ao retorno
médio do índice S&P500, estacionado em 12%.

22


VALUE INVESTING A “FÓRMULA MÁGICA” PARA BATER O MERCADO

DIVERSIFICAÇÃO EM RODÍZIO.

A carteira da “Fórmula Mágica” é composta por 12 ações. O investidor

deve fazer aportes em três ações por trimestre, observando as melhores

colocadas no ranking combinado de alto RPL com baixo P/L. Uma vez por

ano tais ações devem ser trocadas de acordo com a atualização do ranking.
Ou seja, as três ações do primeiro trimestre de determinado ano devem ser
trocadas pelas três melhores ações do primeiro trimestre do ano seguinte,
e assim por diante.

Para seguir a “Fórmula Mágica” o investidor deve despir-se das emoções para
seguir friamente o método proposto, mesmo quando determinada empresa

demonstra resultados animadores, mas cai no ranking combinado entre

P/L e RPL (ROE). O sentimento de parceria com a empresa e o conceito de

“buy and hold” (comprar e abraçar) deve ser deixado de lado. É neste ponto

que a “Fórmula Mágica” se afasta dos conceitos de investimento em longo
prazo relacionados com o “Value Investing”.

Tão pouco os dividendos são considerados neste método, ao longo dos anos.

Aplicação da “Fórmula Mágica” no Brasil.

O assessor financeiro pessoal Marco Goulart escreveu um artigo publicado no

site fundamentus.com.br onde ele aplica a “Fórmula Mágica”

retroativamente sobre as empresas listadas na BOVESPA, entre 1998 e 2008,
usando a plataforma de dados fornecidos pelo software da Economatica.

Ele removeu dos rankings as empresas com P/L negativo e as empresas com
valores maiores que 100 para o P/L e o RPL (ROE) por considerar os erros e
distorções na base de dados. Goulart chegou à conclusão de que a
“Fórmula Mágica” proposta por Joel Greenblatt funciona em linhas gerais

também no Brasil.

O próprio site fundamentus.com.br oferece uma plataforma de dados abertos
por onde é possível elaborar rankings das empresas de acordo com a
“Fórmula Mágica”. Basta que se acesse o menu “Busca avançada por empresa”
no canto superior direito da página.

No campo reservado ao parâmetro P/L, especifique o valor mínimo e o máximo,
cujo intervalo varia de “0” para “100”. O mesmo pode ser feito em relação ao ROE.

Ao clicar em “Buscar” no rodapé da página, uma extensa tabela de dados será
apresentada. Nela a ordem crescente ou decrescente dos fatores pode ser
selecionada.

23


VALUE INVESTING A “FÓRMULA MÁGICA” PARA BATER O MERCADO

A “FÓRMULA MÁGICA” PARCIAL.

Caso o investidor não queira promover o rodízio anual de sua carteira
de ativos, ele pode usar a “Fórmula Mágica” de forma restrita, valendo-se
da elaboração de rankings sempre no momento em que tiver disponibilidade
de capital para compra de ações. Ao escolher sempre as empresas que combinam

baixo P/L com alto ROE, as chances de bater o mercado no longo prazo

serão grandes.

Ao adicionar o “Dividend Yield” nesta breve análise, verificando o histórico de

distribuições dos mesmos ao longo dos últimos anos, o investidor, mesmo
quando leigo, estará próximo de tomar decisões acertadas, dentro das
práticas do “Value Investing”.

24


CAPÍTULO 5

AS
PRINCIPAIS
MÉTRICAS


VALUE INVESTING

AS PRINCIPAIS MÉTRICAS

5

As Principais Métricas

Aula 5 – Minicurso De Value Investing Suno Research

O
O
investidor adepto do “Value Investing” é um estudioso em tempo
integral. Ele está sempre analisando os fundamentos das empresas
que lhe despertam o interesse, avaliando seu histórico no noticiário
em geral e a capacidade de seus gestores.

Antigamente esta tarefa não era tão acessível ao investidor brasileiro
como é hoje.

Quando não havia a Internet, o investidor que não morasse no

Rio de Janeiro e São Paulo, para consultar pessoalmente os arquivos

das Bolsas de cada cidade, tinha que pesquisar os balanços

financeiros quando estes eram publicados nos jornais.

O contato direto com as empresas não era facilitado.

Hoje tudo está mais prático.

Com o advento da Internet, cada empresa com capital aberto na Bolsa

de São Paulo (a do Rio de Janeiro não existe mais) possui em seu site

institucional uma seção para relacionamento com investidores.

As empresas que mais dão atenção para os acionistas minoritários

disponibilizam acesso fácil para balanços financeiros, históricos de

distribuição de dividendos e históricos de mensagens que relatam

fatos relevantes.

26


VALUE INVESTING AS PRINCIPAIS MÉTRICAS

A INTERNET POTENCIALIZA A CAPACIDADE
DE ANÁLISE DOS INVESTIDORES.

O site da B3 – Bolsa Brasil Balcão – que está substituindo o site da antiga

BOVESPA, a Bolsa de São Paulo, também oferece acesso às informações

relevantes de todas as empresas listadas sob sua responsabilidade.
Visite http://www.b3.com.br e navegue pela seção “RELAÇÃO COM INVESTIDORES”.

Além dos sites das empresas e da própria Bolsa de São Paulo, existem

plataformas pagas e abertas, todas muito eficientes, que reúnem dados

para análises fundamentalistas das empresas. Dentre as plataformas
integralmente pagas destacamos a Economática.

Há, no entanto, um site de acesso totalmente livre que oferece uma gama
de informações essenciais para que investidores iniciem suas análises sobre
as empresas.

Trata-se do http://www.fundamentus.com.br – ao digitar o nome de uma empresa
de capital aberto em seu campo de busca, será apresentada uma tabela de dados,
atualizada diariamente, com diversos indicadores extraídos de cotações

e balanços financeiros.

Dentre todas as métricas que esta valiosa ferramenta nos disponibiliza,
destacamos os principais índices que o investidor de valor deve considerar
para levar adiante uma análise aprofundada da empresa alvo de seu interesse.

P/L

O P/L é a relação entre o preço da ação dividido pelo lucro por ação,

correspondendo ao número de anos estimado para o investidor reaver o
capital aportado na empresa através dos lucros distribuídos pela mesma,
sem considerar a variação dos resultados ao longo do tempo.

Os adeptos do “Value Investing” preferem empresas que estão operando
com múltiplos baixos, ou seja, quanto menor for a relação entre preço e
lucro da ação, tanto melhor para as expectativas de crescimento
no longo prazo.

27


VALUE INVESTING AS PRINCIPAIS MÉTRICAS

P/VP

Esta relação indica o preço da ação dividido pelo valor patrimonial da ação.

Trata-se do indicativo mais claro da existência, ou não, da Margem de

Segurança, pois compara diretamente o valor de mercado de uma empresa

com o seu valor intrínseco, atrelado ao patrimônio líquido da mesma.

Deste modo, quanto maior for o resultado da fração, maior será o grau
especulativo da empresa. Por outro lado, quanto menor for a fração,
maior será a Margem de Segurança para o investimento.

“DIVIDEND YIELD”

A razão primordial de muitos investidores de valor no mercado financeiro

é tornar-se parceiro das empresas para receber os dividendos e juros sobre

o capital próprio ao longo dos anos.
Por isso o “Dividend Yield” é muito considerado no “Value Investing”,
pois indica a remuneração da ação dividida pela cotação da mesma.

Quanto maior a porcentagem do “Dividend Yield” tanto melhor, embora não

basta verificar apenas o valor atual: é preciso analisar também o histórico de

pagamento dos proventos.

Quanto maior o intervalo de remuneração em linha com os dados atuais,

melhor. Pagamentos altos, mas isolados, não significam que a empresa é boa

pagadora de dividendos.

No site http://www.fundamentus.com.br há uma seção com os dados históricos
da empresa, onde estão listados os proventos ao longo dos anos.

ROE

Sigla em inglês para “Return On Equity”, o ROE também é conhecido no Brasil
como RPL, ou seja: “Retorno sobre o Patrimônio Líquido”.

Esta métrica indica o quanto uma empresa é rentável ao relacionar o lucro
líquido dividido pelo patrimônio líquido da mesma. Quanto maior for esta
porcentagem, maior será a saúde financeira da empresa em questão.

28


VALUE INVESTING AS PRINCIPAIS MÉTRICAS

DIVIDA BRUTA / PATRIMÔNIO LÍQUIDO

A grande maioria das empresas trabalha com certo grau de alavancagem
para fazer o giro de capital. Obviamente as melhores empresas trabalham
com o endividamento controlado e, quanto menor for a relação entre a

dívida bruta total – que inclui as eventuais debêntures – e o patrimônio

líquido da empresa, melhor para o investidor.

Resultados inferiores a uma unidade indicam que a empresa deve menos
do que ela vale. Se o indicativo apontar vários múltiplos, significa que a

empresa opera seriamente endividada e merece ser evitada.

ALÉM DAS MÉTRICAS

O investidor de valor não se atém à frieza dos números para incluir

uma empresa em sua carteira.

Quando determinada ação passa nos critérios essenciais, significa que esta deve

ser analisada também sob o ponto de vista do setor de atuação da empresa e da
capacidade de seus gestores.

Importará também quem são seus principais controladores e se eles respeitam
os acionistas minoritários.

Quanto mais informação um analista conseguir reunir em torno de uma empresa,
mais fundamentada será a sua decisão de investir ou não na mesma. Para tanto,

vale também o contato com outros investidores dentro de um círculo de confiança,

que possam ter outros pontos de vistas e dados para enriquecer o estudo de cada

caso, afinal de contas, investir em valor significa, também, investir em pessoas.

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