MEMORIALISMO: FICÇÃO, HISTÓRIA, LITERATURA


REVISÃO TEÓRICO-CRÍTICA

Sheila dos Santos Silva1

1 Mestranda em Letras pela Universidade Vale do Rio Verde (UNINCOR). Este artigo deriva de
minha pesquisa de mestrado em andamento, realizada sob orientação da Profª. Drª. Maria Elisa
Rodrigues Moreira, intitulada Città di Roma: uma história de família costurada com os fios da
memória.

Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR

(sheilacax@hotmail.com)

RESUMO: A narrativa de cunho memorialista tem forte tradição no Brasil, pelo menos desde fins do
século XIX, com o Romantismo, quando começam a surgir os primeiros textos que se pautam pelo
registro de eventos e de recordações relacionados à vida pessoal dos escritores e à sua inserção
cultural e identitária na história de nosso país. Assim, pautamo-nos pela convicção de que memória,
narrativa e história estão, no caso de obras de tradição memorialista, interligadas, não sendo possível
definir com clareza as fronteiras que as delimitam ou restringem, o que impossibilita que sejam
classificadas e compartimentadas em espécies de “caixas” isoladas. Partindo disso, o presente artigo
visa apresentar uma reflexão acerca dos entrecruzamentos entre história, ficção e literatura em textos
memorialísticos, abordando as considerações de Paul Ricoeur (2007), Benedito Nunes (1988),
Valéria Gobbi (2004), Márcio Seligmann-Silva (2003) e Sandra Pesavento (2000) acerca do assunto.

Palavras-chave: Memória; Ficção; História; Literatura.

ABSTRACT: The memoirist narrative has a strong tradition in Brazil, at least since the end of the 19th
century, with Romanticism, when the first texts start appearing they are based on the recording of
events and memories related to the writers personal’s life and their cultural insertion and identity in the
history of our country. Thus, guided us by the conviction that memory, narrative and history are, in the
case of works of memorialist tradition, interconnected, and it is not possible to clearly define the
boundaries that delimit or restrict them, that makes it impossible to classified them and
compartmentalized in species of isolated “boxes”. From this, this article aims to present a reflection
on the interrelations between history, fiction and literature in memorialistic texts, approach the
considerations of Paul Ricoeur (2007), Benedito Nunes (1988), Valéria Gobbi (2004), Márcio
Seligmann-Silva (2003) and Sandra Pesavento (2000) on the subject.

Keywords: Memory; Fiction; History; Literature.

Resumen: la narrativa de carácter memorialista tiene fuerte tradición en Brasil, al menos desde fines
del siglo XIX, con el Romanticismo, cuando empiezan a surgir los primeros textos centrados en el
registro de los eventos y recuerdos relacionados a la vida personal de los escritores y a su inserción
cultural e identitaria en la historia de nuestro país. Así, nos orientamos por la convicción de que la
memoria, narrativa e historia están, en el caso de obras de tradición memorialista, interconectadas,
una vez que no es posible definir claramente las fronteras que las delimitan o restringen, lo que
imposibilita que sean clasificadas y compartidas en especies de “cajas” aisladas. A partir de ello, el
presente artículo tiene como propósito presentar una reflexión acerca de los entrecruces entre


historia, ficción y literatura en textos memorialísticos a través de un abordaje de las consideraciones
de Paul Ricoeur (2007), Benedito Nunes (1998), Valéria Gobbi (2004), Márcio Seligmann-Silva (2003)
y Sandra Pesavento (2000) acerca del asunto.

Palabras Clave: Memoria; Ficción; Historia; Literatura.

A narrativa de cunho memorialista tem forte tradição no Brasil, pelo menos
desde fins do século XIX, com o Romantismo, quando começam a surgir os
primeiros textos que se pautam pelo registro de eventos e de recordações
relacionados à vida pessoal dos escritores e à sua inserção cultural e identitária na
história de nosso país. De acordo com Paulo Bungart Neto (2011), isso se deve, em
especial, à emergência de uma “consciência nacional” que se reflete na necessidade
de elaboração de uma literatura genuinamente brasileira, para a qual se mostra
importante um entendimento dos próprios escritores de seu papel como intelectuais
e como artistas e de que modo esse papel se relaciona com a vida política, social e
cultural brasileira.

Assim, pautamo-nos pela convicção de que memória, narrativa e história
estão, no caso de obras de tradição memorialista, interligadas, não sendo possível
definir com clareza as fronteiras que as delimitam ou restringem, o que impossibilita
que sejam classificadas e compartimentadas em espécies de “caixas” isoladas. Isso
não quer dizer, entretanto, que as tomemos por semelhantes ou sobrepostas, mas
que tentamos articulá-las como fios que se entrecruzam, que se encontram, que se
separam, que se distanciam e que voltam novamente a se encontrar na tessitura de
uma determinada obra. Dessa forma, o objetivo deste artigo é discutir e refletir
acerca desses três pontos de aproximação e de distanciamento entre a narrativa
memorialística e a narrativa histórica.

Tais entrecruzamentos remetem à discussão acerca da relevância da
literatura, a qual remonta à Antiguidade, quando Platão, segundo pondera Márcia
Valéria Zamboni Gobbi, afirma que “a arte não passaria de um ‘jogo de criança,


despido de seriedade’, que não traz consigo qualquer conhecimento minimamente
válido” (GOBBI, 2004, p. 39). Para o filósofo, a arte não deveria ocupar um lugar
relevante na sociedade, uma vez que não oferece conhecimento significativo e se
apresenta apenas como uma imitação da imitação, afastando, assim, cada vez mais,
o indivíduo de alcançar o tão almejado mundo das ideias.

Entretanto, Gobbi (2004) argumenta que é exatamente a partir da articulação
entre a criação artística e a realidade que pode preponderar o conhecimento. A
pesquisadora defende também que

[…] o poeta é, sim, um artífice, um artesão, porque a criação literária
envolve, necessariamente, trabalho, técnica e produto; a arte é,
também necessariamente, um simulacro: trabalha com materiais
diversos da realidade das coisas e, portanto, só poderia fazer delas
uma outra coisa, impondo-lhes uma forma que não é natural; além
disso, ao definir o fazer artístico como um ‘jogo de criança’, aponta-
se para o aspecto lúdico da criação (o ‘prazer do texto’), seu
distintivo mais que desejável (GOBBI, 2004, p. 39)

De acordo com a pesquisadora, essa discussão sofre uma importante
alteração, ainda na Antiguidade, com as considerações de Aristóteles, para quem a
arte se apresenta como uma representação do verossímil e do necessário, ou
melhor, ela retrata o que poderia acontecer ou o que poderia ter acontecido. Na
perspectiva aristotélica, na poesia (que equivale à literatura, de forma ampliada), não
há a necessidade de se ater apenas à realidade, já que isso é atribuição da história.
A poesia não teria, assim, o objetivo de persuadir o leitor de que o fato narrado seja
ou não real; pelo contrário, ela visa a entreter e a levar o leitor a refletir sobre sua
existência, sobre a sociedade em que vive e sobre tudo aquilo que o rodeia,
permitindo-lhe, desse modo, a formação de uma visão mais crítica da realidade.

Ainda recorrendo a Aristóteles, Gobbi indica que as diferenças entre a
poesia e a história não se pautam pelo estilo usado para escrevê-las (se o verso ou


a prosa), mas sim pelo teor de sua escrita: enquanto a história se ocupa com o
relato de acontecimentos particulares, específicos, a literatura tem o poder de
mostrar verdades consideradas universais, “justamente pelo seu poder de revelar o
ilusório do mundo em que vivemos, alcançando, assim, o universal pela mediação
do particular. A ficção permitiria desvendar as aparências, levando o homem a
conhecer as essências […]” (GOBBI, 2004, p. 40).

As relações entre a história e a literatura são também um dos principais
eixos de investigação da historiadora Sandra Jatahy Pesavento. Em seu texto
“Fronteiras da ficção: diálogos da história com a literatura” (2000), por exemplo,
reflete sobre a questão a partir da análise do romance Iracema, de José de Alencar,
e do texto historiográfico Capítulos da História Colonial, de Capistrano de Abreu,
afirmando, em sua argumentação, que tanto os textos históricos comportam
recursos ficcionais quanto os textos literários podem ser cercados por estratégias
documentais de veracidade. Isso confirmaria o fato de que, quando história e
literatura são entrecruzadas, as fronteiras entre esses dois campos de conhecimento
e produção são diluídas.

A autora começa seu texto alertando sobre a permanente necessidade de
alguns historiadores de diferenciar marcadamente a literatura e a história, na
tentativa de diminuir ou desvalorizar aquela em detrimento desta. Seu
posicionamento, entretanto, visa a demonstrar que não há necessidade de separar
tão rigidamente cada um desses discursos, uma vez que apresentam muitos pontos
de interseção. Pesavento (2000) acredita que, assim como a literatura precisa de um
narrador para apresentar os fatos narrados, a narrativa histórica necessita também
de um narrador para expor o que ouviu, viu ou pesquisou, ou seja, em sua
concepção, o que o historiador faz é (re)apresentar os fatos para o leitor. Nesse
processo, ele recorta, seleciona e relaciona os fatos que serão apresentados como
“verdadeiros”, conformando a história de uma sociedade, mas, ao mesmo tempo,


seria possível pensarmos que, ao agir dessa maneira, ele ficcionaliza seu texto, nele
enxertando a subjetividade que permeia qualquer construção narrativa:

Que a história é narrativa, bem o sabemos; que o historiador
investiga, seleciona e constrói o seu campo, o seu tema e o seu
objeto, parece também fora de dúvida. Que o imaginário, esta
capacidade de representar o real por um mundo paralelo de
imagens, palavras e significados, tem uma força por vezes mais
“real” que o próprio “real concreto”, é também uma visão que se
difunde.

Mas admitir que os historiadores realizam ficção e que não almejam
a verdade é ainda considerado por muitos heresia! (PESAVENTO,
2000, p. 37).

Para reforçar sua defesa em relação à necessária ficcionalização que
perpassa o texto histórico, Pesavento vale-se também da historiadora Natalie Davis
(1989) a qual acredita que o historiador tem necessidade de recorrer à imaginação
para construir seu texto histórico e, assim, relacionar todos os fatos/fontes que
precisam ser narrados. Dessa forma, Davis (1989, p. 138) entende que o historiador
trabalha com a verossimilhança, uma vez que não há como reproduzir a realidade
passada, mas apenas “transportar para o papel” – ou seja, narrar − aquilo que já foi
vivido, experienciado.

Entretanto, ambas as pesquisadoras reconhecem que esse uso da
imaginação, quando pensamos no fazer histórico, é um uso limitado, uma vez que
matizado pelos métodos próprios à história, dentre os quais se destaca a
importância das “fontes”: a ficção no texto histórico “é controlada pelo arquivo, pelo
documento, pelo caco e pelos traços do passado que chegam até o presente”
(PESAVENTO, 2000, p. 39). Entretanto, se ao historiador não é permitida a criação
de vestígios do passado, todavia é ele quem atribui ou confere a esse vestígio
sentido histórico, de modo que a recorrência da ficção na história se faz tanto por via
da seleção do que será narrado quanto pela forma como o historiador apresenta


esses vestígios em sua articulação narrativa:

O historiador é obrigado a realizar sempre uma ficção perspectivista
da história, dado que é impossível a existência de uma história que
recolha simplesmente o passado nos arquivos… Não se chega, pura
e simplesmente, a fatos aprioristicamente estabelecidos por fontes. A
história é, neste sentido, sempre construção de uma experiência, que
tanto reconstrói uma temporalidade quanto a transpõe em narrativa
(PESAVENTO, 2000, p. 38-39).

Esse aspecto é também destacado por Márcio Seligmann-Silva (2003),
pesquisador que dedica boa parte de suas investigações a reflexões acerca das
relações entre memória, história e literatura e que indica como é problemática a
visão de alguns historiadores que visam a anular a memória individual e a memória
coletiva em detrimento da ilusão de uma retratação “objetiva” do passado, baseada
apenas em “fatos”. Para ele, a memória possui uma relação mais aberta e afetiva
com o passado e por isso intervém e determina boa parte de seus caminhos. Ela
não é singular; ao contrário, é plural, na medida em que, na sociedade, apresenta-se
sempre um embate em relação às múltiplas leituras acerca do passado: uma vez
que cada indivíduo oferece uma versão diferente sobre um mesmo fato o qual foi
narrado e vivenciado por outros, não há como existirem relatos exatamente iguais de
um mesmo acontecimento, considerando que o registro da memória é seletivo e atua
entre a lembrança e o esquecimento. Partindo dessa ideia, o pesquisador acredita
que “a tarefa da memória deve ser compartilhada tanto em termos na memória
individual e coletiva como também pelo registro (acadêmico) da historiografia” (2003,
p. 63). Não há como separar esses elementos que são essenciais seja para a
construção da história de um povo, de uma nação, seja para a construção de uma
história familiar.

Partindo dessas considerações, é relevante refletir a respeito do lugar da
imaginação e da ficção na construção do discurso memorialístico, para o qual


recorremos aos estudos de Paul Ricoeur (2007) e Benedito Nunes (1988) que
abordam as relações existentes entre a memória e a ficção na construção de
narrativas, passando pelas distinções entre a “narrativa histórica”, a “narrativa
ficcional” e a “narrativa memorialística”.

Benedito Nunes, em seu texto “Narrativa histórica e narrativa ficcional”,
aborda as distinções entre as formas de construção dessas narrativas. Para ele, as
diferenças entre uma e outra remontam à ligação que ambas têm com o mito.
Durante a Idade Média, a história era entendida como narração dos feitos históricos
e de crônicas que abordavam as lendas da época.

No século XIX, conforme o autor, há a separação entre História-ciência e
História-arte, quando foi definido o afastamento entre a pesquisa e a narração. A
História-ciência (ou História-pesquisa) equivale a uma história da história que
permite acesso ao passado por meio de documentos, de monumentos e de
arquivos, transmitindo, assim, um conhecimento imediato e indireto. A História-arte,
por sua vez, é entendida pelo filósofo brasileiro como uma narrativa de
acontecimentos que recria os fatos passados como se fossem presentes, tornando o
historiador em um contemporâneo dos fatos narrados e fornecendo, assim, imagens
do passado como sendo atuais. Para isso, a narrativa não se eximiria de utilizar a
imaginação para projetar tais imagens, que seriam reconstruídas através da
narrativa (cf. NUNES, 1988, p. 10-12).

Ele explica, assim, que a História e a Ficção, num primeiro momento,
entrosam-se como formas de linguagem objetivando a atividade humana e que a
História, ao selecionar, simplificar e organizar os fatos que são relatados, pressupõe
algum tipo de imaginação, já que, muitas vezes, o historiador precisa resumir um
século em uma página.

Partindo disso, Nunes assegura que a História, a Ciência e a Ficção visam a
apresentar os objetos do pensamento humano, estando, assim, ligadas


naturalmente:

A História, investigação e registro de fatos sociais das civilizações,
recorre a leis gerais, que são próprias à ciência, e também utiliza a
ficção; a ciência pode limitar-se ao registro de fatos, e a Ficção, por
intermédio do romance, do drama, alcança, honrando a observação
aristotélica de que a poesia é “mais filosófica do que a história”, um
nível de generalidade semelhante ao do pensamento científico
(NUNES, 1988, p. 12).

Nunes acredita que a narração – que é vista por muitos como recurso
exclusivo da ficção – está presente tanto nos textos ficcionais como nos textos
históricos. Mesmo os textos históricos sendo entendidos como científicos,
apresentam elementos ficcionais em sua construção na medida em que os eventos,
os fatos narrados passam por um processo de recorte, de seleção para constituírem
o texto histórico.

As reflexões de Benedito Nunes dialogam diretamente com as proposições
do filósofo Paul Ricoeur. Este, em seu livro A memória, a história, o esquecimento,
apresenta a relação entre a memória e a imaginação, afirmando que há uma forte
associação entre ambas. Para ele, evocar a memória é, por conseguinte, imaginá-la
e, logo, lembrar-se dela. Apesar dessa ligação intrínseca, o filósofo explica que a
imaginação é considerada inferior na escala dos modos de conhecimento, o que
contribui para a redução da importância atribuída à memória pelos estudiosos de
ciências.

Na tentativa de distinguir memória e imaginação, Ricoeur (2007) afirma que
é possível apontar duas direções opostas, mas que se complementam em um
determinado ponto, para a construção da narrativa memorialística. De um lado,
teríamos a imaginação que está voltada para o fantástico, para a ficção, para o
irreal, para o utópico; de outro, a memória que remete à realidade anterior, ao
passado, o qual institui a marca temporal do que é lembrado. Conforme o


pesquisador, a memória é a garantia de algo que aconteceu antes mesmo da
formação da lembrança, e mesmo a historiografia não poderia deixar de convir que a
memória é uma referência ao passado, ao que de fato aconteceu, embora ela se
utilize da imaginação para a consecução de seu objetivo principal, que é evocar
esse algo que já passou.

Além disso, Ricoeur aponta que tanto a imaginação quanto a memória não
podem se esquivar do esquecimento, o qual é entendido como “apagamento dos
rastros e como falta de ajustamento da imagem presente à impressão deixada como
que por um anel de cera” (RICOEUR, 2007, p. 27) e que se apresenta como
companheiro inseparável de ambas.

O esquecimento, na perspectiva ricoeuriana, poderia ser tomado como um
não esforço para recordar: sempre há a tentativa de evocar aquilo que possa ter sido
esquecido e a recordação seria exatamente aquilo que não foi esquecido. Não há,
segundo Ricoeur, uma distinção definitiva sobre o surgimento do esquecimento, que
poderia ter sido originado de duas formas: pelo apagamento definitivo ou pelo
impedimento provisório do que foi aprendido antes.

É relevante pensar ainda, de acordo com Ricoeur, a ideia de continuidade do
tempo nos processos de evocação da memória: esta é evocada no presente que
retoma algo que ficou no passado, entretanto o presente torna-se passado e assim
as lembranças vão se acumulando mutuamente em um passado profundo.

Para o filósofo, é necessário pensar a memória como certa, pois a memória
é a única maneira de retomar e relembrar o passado, ainda que exista a relação dela
com a imaginação, algo subjetivo e de credibilidade questionável. É justamente por
essa característica de não ser totalmente confiável, devido a sua ligação com a
imaginação, que a memória possibilita o único caminho para conferir autenticidade
ao que se declara como lembrança.

Ainda segundo Ricoeur, existem três tipos de narrações: as narrações que


visam retomar lembranças, as narrações fictícias e as narrações que tendem a
representar o passado. As narrações que buscam a representação sempre
receberão mais importância em relação às outras duas, uma vez que oferecem uma
falsa ilusão de que estão retratando verdadeiramente o que já aconteceu. Contudo,
de acordo com suas considerações, é possível concluir que não há como retratar
fielmente algo que já aconteceu, que ficou no passado, uma vez que, ao tentar
reconstruir a imagem de uma lembrança, ela não será completamente fiel ao que de
fato ocorreu, isto é, a reconstrução dessa lembrança contará com a imaginação para
complementar os traços que foram apagados pelo tempo. O traço diferencial entre
memória e imaginação, então, é a limitação fictícia a que a memória está destinada.
(cf. RICOEUR, 2007, p. 25-70).

Tecidas essas considerações acerca das relações entre as narrativas
histórica, ficcional e memorialística, procuraremos refletir um pouco mais sobre as
últimas, que nos interessam mais especificamente, buscando entender como elas
são abordadas nas próprias reflexões literárias. Conforme a pesquisadora Maria
Lúcia Dias Mendes que se dedicou, em sua tese de doutorado, a estudar o texto
memorialístico de Alexandre Dumas,

[…] o termo “memórias” […] está tradicionalmente ligado às narrativas
de vida, desde a origem das línguas romanas. Um mémoire é, a
princípio, um relato de fatos, a exposição de um tema. O termo
“Mémoires”, no plural, está ligado à recapitulação, à inscrição em
mémoire de acontecimentos aos quais o autor teve acesso direto e
que possibilitam a sua rememoração. O memorialista não é um
historiador, nem um cronista apenas, trata-se, na verdade, de uma
testemunha da História. Seu testemunho restringe-se aos
acontecimentos ao quais ele esteve ligado – como ator ou
expectador (sic). Para escrever, o autor normalmente recorre a
testemunhos de outras pessoas presentes ou mesmo a fontes
documentais; contudo é a primeira pessoa que toma a frente na
narração, organizando os fatos de acordo com a perspectiva pessoal
de um indivíduo em particular (MENDES, 2007, p. 37-38).

Dessa forma, Mendes (2007) pontua que o memorialismo corresponde às
narrativas de vida e que é um conceito que remonta à Roma Antiga, devido à origem
da palavra memória. Conforme essa perspectiva, a função de um escritor de
memórias não seria retratar o passado e, assim, fazer as vezes de um historiador;
pelo contrário, o memorialista narraria as suas lembranças a partir do que viu e do
que ouviu, moldando sua narrativa com o que aprendeu, entendeu e interpretou de
toda a sua vivência.

Tomadas, portanto, como “memórias” ou “memorialismo”, as narrativas
memorialísticas movimentam-se, conforme afirma Massaud Moisés no verbete
“Memórias”, de seu Dicionário de termos literários (2013), no espaço ocupado pela
autobiografia, pelo diário e pelas confissões. As memórias, entretanto, distinguem-se
por se constituírem como narrativas em primeira pessoa do singular, objetivando a
reconstrução do passado a partir dos acontecimentos vivenciados pelo narrador.
Nessa perspectiva, no texto de cunho memorialístico, o autor seleciona os
acontecimentos que serão narrados de acordo com a importância que cada um
desses eventos tem para ele mesmo, de modo que o texto memorialístico apresenta
uma forte subjetividade, que o faz pender mais para o lado da narrativa ficcional que
para o lado da narrativa histórica, na medida em que sua principal preocupação, ao
narrar memórias pessoais, é retratar suas impressões dos fatos e não focar
estritamente nesses fatos.

A narrativa memorialística – que não se preocupa em seguir a linearidade do
tempo – é construída, assim, com a apreensão de experiências julgadas importantes
por parte do autor, não apenas como sujeito de uma existência marcada por
episódios pitorescos e incomuns, mas também pelas impressões deixadas pelos
outros em sua memória. Isso implica que a veracidade desses eventos é mais
vivencial do que documental, isto é, “o subjetivismo, congenial às modalidades


autobiográficas vizinhas, alcança neste caso suma intensidade, aproximando-se
ainda mais do terreno ocupado pela narrativa ficcional ou pelo lirismo” (MOISÉS,
2013, p. 289). Moisés assegura ainda que “distorcido pela memória o passado
transfigura-se como se parecesse inventado, uma vez que o intuito reside menos no
pacto autobiográfico estrito do que na reconstituição das lembranças que restaram
do fluxo e refluxo dos dias” (MOISÉS, 2013, p. 289).

Sueli Gedoz e Terezinha da Conceição Costa-Hubes, em seu texto “A leitura
do gênero discursivo memórias literárias a partir de um olhar bakhtiniano” (2010),
defendem que a narrativa memorialística visa a resgatar o passado de alguém por
meio das recordações vivenciais desse mesmo alguém. Entretanto, elas ponderam
que o autor de um texto memorialístico busca “representar a realidade por meio de
sua visão e interpretando aspectos que considera mais importantes, sem uma
preocupação em retratá-los de modo fiel” (GEDOZ, COSTA-HUBES, 2010, p. 264).

Dessa forma, entende-se que o texto memorialístico apresenta, em sua
constituição, expressões pessoais do autor e que este, por sua vez, ainda que
construa sua narração a partir de acontecimentos reais de sua vida, de experiências
pelas quais realmente passou, costura-as juntamente a sua perspectiva pessoal e
ficcional.

Seguindo essa linha de pensamento, Maria Lúcia Aragão (1992) afirma, em
“Memórias literárias na modernidade”, que

Hoje em dia costumamos chamar de “memórias” de um personagem
a narrativa feita por ele mesmo dos acontecimentos de sua vida, com
uma insistência sobre os acontecimentos objetivos, mais do que
sobre o vivido subjetivo. […]

Na elaboração literária de uma vida, o autor realiza um incessante
diálogo entre o passado e o presente, colocando em cena a
elaboração de seu ser pessoal, na procura das significações contidas
nos fatos passados. Diríamos que o memorialismo faz uma segunda
leitura do tempo vivido ou… perdido (ARAGÃO, 1992, s/p).

Percebe-se, assim, que as narrativas memorialísticas não possuem o
objetivo de constituir um retrato fiel da realidade, sendo seu interesse maior narrar
sobre os acontecimentos que, de alguma forma, foram importantes na vida do
narrador e daqueles que compõem seu círculo social, como família e amigos. Em
virtude disso, Aragão acredita que

Quando lemos uma história de vida, devemos estar sempre
conscientes de que o autor nos conta apenas uma parte de sua
história, que escolhe os fatos de maneira a nos apresentar uma certa
imagem elaborada de si. […] A narrativa de vida não se prende à
descrição exata dos fatos. Ela obedece, isso sim, à exigência de
fidelidade a si mesmo, segundo a ordem dos valores reveladores do
sentido de uma vida, na plenitude de sua permanente atualidade
(ARAGÃO, 1992, s/p).

A pesquisadora explica que o termo “memórias”, a partir do século XVII,
passou a ser usado para denominar os textos de historiadores ou de indivíduos que
não seguiam a carreira literária – memórias de parlamentares, nobres, religiosos,
militares – prevalecendo, dessa forma, o interesse pela informação ou pelo
testemunho de algum fato. Mais tarde, o termo “memórias” foi destinado às
narrativas autobiográficas e, a partir daí, as narrativas históricas cederam lugar à
narrativa de experiências pessoais. Desse modo, a elucidação de uma vida privada,
misturada a acontecimentos coletivos, interessa mais ao leitor pelo seu lado
anedótico do que por sua fidelidade aos fatos reais.

Isso ocorre, uma vez que, ainda de acordo com Aragão,

um livro de memórias é sempre uma nova forma de apreensão dos
fatos, antes isolados, mas agora reunidos, que compuseram a trama
de uma vida, fatos esses que voltam ao presente, através da
lembrança, provando que alguma marca tiveram no conjunto do
vivido. Outros fatos ficaram necessariamente enterrados, e o recurso


é imaginar, não o que realmente aconteceu, mas o que poderia ter
acontecido.

Um livro de memórias é sempre uma segunda chance de se viver o
que já se viveu, de viver o que não se viveu e de se recuperar o
“tempo perdido”. (ARAGÃO, 1992, s/p).

A narração de memórias é, portanto, uma experiência de recordação do
autor, na medida em que precisa voltar ao seu passado e reviver, relembrar tudo
aquilo que havia ficado para trás. Ao fazer essa viagem, o autor/narrador escolhe
tanto os acontecimentos que marcaram sua trajetória de vida e que deseja trazer à
tona no que diz respeito à melhor maneira de apresentar esses fatos. Afinal, a
escrita de memórias pode funcionar como uma nova forma de viver o passado, uma
oportunidade para se reescrever uma história acrescentando ou retirando dela aquilo
que interessa ou não ao narrador ser conhecido por terceiros. O autor, nessa
perspectiva, é o senhor de seu passado, determinando ele próprio a construção e a
consolidação de suas memórias.

Corroborando essa ideia, a pesquisadora Patrícia de Cássia Pereira Porto
assegura, em seu artigo “Narrativas memorialísticas: memórias e literatura” (2011),
que, em nossas lembranças – um espaço que sempre percorremos –, sempre
haverá a relação entre o que aconteceu e o que sonhamos ter acontecido. Isso
porque as pessoas que possuem a capacidade de lembrar detalhadamente os fatos
que marcaram sua vida são as mesmas que conferem “alma” a essas lembranças e
que, ao fazer isso, atribuem à memória sua afetividade, seus desejos e seus
interesses, enfim, preenchem de subjetividade suas narrações. Porto defende,
portanto, que “a escrita memorialística é uma escrita que passeia entre os fatos e os
devaneios, entre as imagens da imaginação e da memória, entre os tempos
pretéritos e o desejo do tempo futuro” (PORTO, 2011, p. 202).

Além dessa linha argumentativa que aponta as relações entre “história” e
“imaginação” na constituição do texto memorialístico, vários estudos dedicam-se a


compreender os motivos os quais fazem com que esse tipo de narrativa atraia, cada
vez mais, o público leitor. Essa é uma das questões apontadas por Valéria Brisolara,
no artigo “Narrativa, memória e identidade: o boom das narrativas de cunho
memorial”: a pesquisadora acredita que o crescente interesse em textos
memorialísticos, assim como em todos os tipos de textos confessionais, os quais
apresentam o cotidiano particular de seus autores, deve-se ao fato de ser esse o
tipo de escrita que mais se aproxima do leitor, na medida em que, nesse tipo de
obra, o leitor tem contato com um eu – uma pessoa “viva”, “real” – que lhe abre sua
vida e suas mais íntimas confidências. Nessa perspectiva, a leitura do texto
confessional criaria uma área de contato entre o leitor e o autor, possibilitada por
meio da partilha dos medos, das alegrias, dos sonhos, das incertezas, levando o
leitor a um reconhecimento e, até mesmo, a um certo conforto em poder dividir com
o autor, de forma silenciosa e íntima, suas incertezas e seus medos.

Mas, mesmo ressaltando essa possibilidade, Brisolara (2012) assegura que
é de fundamental importância atentar para o fato de que o sujeito narrador é um
efeito de linguagem e que, jamais, autor e narrador serão a mesma pessoa, pois
narrar é constituir-se como um sujeito-personagem, isto é, narrar é construir uma
nova identidade. Diante disso, ela afirma que, a partir de suas pesquisas, pode
perceber que a veracidade dos fatos narrados em textos memorialísticos não tem
qualquer relevância para construção da narração, destacando-se antes a forma
como são percebidos e apresentados pelo autor. A pesquisadora assegura, assim,
que o interesse pelas memórias extrapola as barreiras da literatura, alcançando
outras manifestações artísticas e outros meios de divulgação, como os filmes, que
estão também colocando as memórias no centro das discussões cinematográficas.

Para concluir nossas reflexões sobre o memorialismo e encerrar este artigo,
optamos por recorrer a um estudo dedicado àquele que é considerado o mais
importante memorialista brasileiro: Pedro Nava. No livro Espaços da memória: um


estudo sobre Pedro Nava, Joaquim Alves de Aguiar faz a seguinte afirmação,
recorrendo a duas obras do próprio escritor mineiro, Balão Cativo (de 1973, indicada
por “BC”) e Chão de Ferro (de 1976, indicada por “CF”):

[…] [Pedro Nava] sabia que recordar é sobrepor ao passado o
presente, com sua acumulação de outros tempos passados, ou seja,
de experiências. Essa característica da recordação abre caminho
para a imaginação criadora, que transfigura o acontecimento
lembrado: “É impossível restaurar o passado em estado de pureza.
Basta que ele tenha existido para que a memória o corrompa com
lembranças superpostas” (BC, p. 221).

Quanto mais recuado, mais imperfeito é o tempo e maior sua
necessidade de ser retocado, aperfeiçoado “por lembranças
análogas ou congêneres de sucessos posteriores, que vão tornando
o pretérito rico como as pérolas que ganham mais oriente quanto
mais usadas, saliente, como os relevos das estátuas avivadas pelo
arbítrio da pátina e do polimento dado pelo vento” (CF, p. 192)
(AGUIAR, 1998, p. 21).

Corroborando com o que foi discutido anteriormente, Aguiar (1998), a partir
das palavras de Pedro Nava, acredita que, ao narrar suas memórias, o autor
retomará lembranças e fatos do passado, mas permeados por sua experiência de
vida e pela visão de mundo que possui no momento da escrita de suas recordações.
Nota-se, assim, mais uma vez, a impossibilidade de se retratar fielmente um
acontecimento que ficou no passado e a consciência que a esse respeito tem o
próprio escritor. A imaginação tem a função de retocar, de completar as lacunas que
foram aparecendo e aumentando com o passar do tempo, pois as lembranças estão
sempre sujeitas ao trabalho do esquecimento.

Aguiar explica ainda que, no processo de recordação para escrever suas
memórias, Pedro Nava procedia “como quem exuma os ossos dos cadáveres para
examinar as marcas da vida que os mantinha. Daí o título de Baú de Ossos, por
exemplo” (AGUIAR, 1998, p. 17). Ao abrir o baú de suas lembranças, o memorialista


trazia os mortos de sua história novamente à vida e, ao transportá-los para a escrita,
fazia com que revivessem. Nessa perspectiva, o pesquisador aponta que, “para
Nava, rememorar é dar vida aos desaparecidos no tempo, assim como escrever
sobre eles é convertê-los em matéria literária” (AGUIAR, 1998, p. 17-18), ou seja,
transformá-los em personagens ficcionais.

É notável, na pesquisa de Aguiar, a preocupação em recorrer a argumentos
do próprio Nava para definir o escritor de memórias, o qual, para este, usa
elementos da lembrança e da ficção sem saber afirmar exatamente em que
momento começa uma e terminam as outras, talvez por que elas sejam
inseparáveis. Segundo o pesquisador, Nava entendia a escrita de memória como
uma “reconstrução do passado com a ajuda dos dados do presente, rompimento da
matéria rememorada com o encadeamento cronológico, descompromisso com o
relato verídico” (AGUIAR, 1998, p. 22), ou seja, como uma construção em terreno
híbrido, tal qual a narrativa de Nava em que os fatos da realidade são aproximados
do tijolo e da pedra, elementos que o escritor trabalharia juntamente à areia e ao cal,
por ele manipulados, para constituir uma parede, uma casa ou qualquer outro tipo de
construção.

Joaquim Alves de Aguiar, ampliando sua reflexão para os estudos dedicados
ao memorialismo, acredita que o fato de abarcarem história e ficção dificulta o seu
enquadramento nos gêneros canônicos:

Certamente, tanto os manuais de história quanto os de literatura não
costumam dar destaque aos memorialistas. Num campo e noutro,
talvez o gênero seja considerado menor, um subgênero, pelo
subjetivismo das impressões, prejudicial à objetividade que se espera
do historiador; pela adesão ao retrato, que pode empobrecer o texto
ficcional. No campo da crítica literária, o maior problema foi sempre
medir os graus entre verdade e verossimilhança no discurso
memorialístico. Em princípio, mais próximas do verídico que os
demais gêneros, com muito de testemunho e de confissão, as


memórias acabaram sendo catalogadas numa espécie de gênero
próprio, menor entre os maiores, o “memorialismo”, através do qual
vêm logrando o reconhecimento do seu estatuto literário (AGUIAR,
1998, p. 23).

Apesar desse impasse em relação à classificação das memórias como
gênero, de acordo com Aguiar, Nava não tinha dúvidas sobre sua inclusão no
universo literário, o que confirma citando uma passagem do autor publicada em Círio
Perfeito, obra de 1983:

[…] tudo isso, biografia, história, lembrança e memória não pode ser
literatura? Sim. É literatura quando escrita com a surpresa e o
mistério da poesia. Com as qualidades da clareza do estilo original.
As discussões daquelas diferenças não conduzem a nada. […] É
ocioso discutir os limites da literatura. Literatura é tudo aquilo feito
com bom estilo, tudo que é bem escrito e que é tocado, ainda que de
leve, pela mão da poesia (NAVA apud AGUIAR, 1998, p. 23).

Na perspectiva de Nava, portanto, o que difere o escritor de memórias que
atua no campo da história daquele que atua no campo literário é a forma como ele
trabalha com o evento evocado. Isto é, tanto o historiador quanto o memorialista vão
reconstruir algo que ficou no passado, entretanto o primeiro apenas descreve
objetivamente o evento em questão, ao passo que o segundo visa a traduzir a
emoção que o fato lhe provocou, o que confere ao texto do memorialista sua veia
primordialmente ficcional.

As narrações memorialísticas caminham, portanto, como se percebe nos
mais diversos estudos sobre o tema, em uma linha tênue que separa história e
ficção, uma vez que visam a retomar, a posteriori, algo que já foi vivido e que, de
alguma forma, marcou a experiência de alguém. Como a memória não é exata,
marcando-se tanto pelo esquecimento quanto pelos afetos, ao retomá-la na
construção de uma “escrita de si”, certamente será necessário recorrer à


imaginação.

REFERÊNCIAS

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da memória: um estudo sobre Pedro Nava. São Paulo: Editora da Universidade de
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SELIGMANN-SILVA, Márcio. História, memória, literatura: o testemunho na Era
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Recebido em: 15/12/2016

Aceito em: 13/01/2017

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