ESGOTOS PODEM CONTER GRANDE CARGA VIRAL DO NOVO CORONAVÍRUS



Estamos despejando nos rios e mares enorme quantidade de carga viral.

Até onde sabemos, o coronavírus é transmitido pelo contato com gotículas contaminadas de saliva ou outras secreções. Porém, desde a detecção da alta carga viral de SARS-CoV-2 em fezes de pacientes, se fez claro que o esgoto também pode estar contaminado e estudos têm sido realizados para investigar essas informações e suas implicações para a saúde pública.

Um estudo recente analisou a água de esgoto do aeroporto de Amsterdam, depois do primeiro caso ser diagnosticado na cidade, e encontrou o vírus presente nas amostras de água coletada. Esse achado pode ser explicado pela excreção do vírus por pré-sintomáticos, assintomáticos e potenciais sintomáticos que passaram pelo aeroporto. A presença do vírus pode levar à transmissão fecal-oral, conforme verificado nos casos de outros vírus.

O risco de uma pessoa que possui o vírus nas fezes contaminar outra não pode ser calculado ainda, pois a presença do vírus não quer dizer que ele poderá infeccionar outra pessoa. Ainda assim, outro artigo sugere que o transplante de microbiota deve ser feito com o cuidado: as fezes do doador devem ser testadas antes de realizar o transplante.

A vigilância ambiental dos países se faz extremamente necessária neste momento, para que se possa analisar os dados de esgoto e indicar se o vírus está circulando na população humana. A partir disso, pode-se entender qual é o tamanho da proporção de infecção fecal-oral do vírus. Essa transmissão pode acontecer ao levar as mãos à boca depois de tocar em locais contaminados, também ao comer alimentos não higienizados.

Em áreas com falta de saneamento, como nas favelas, a situação é precária e a população corre mais risco. Segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, apenas 46% do esgoto é tratado no Brasil.

Além disso, 35 milhões de pessoas não têm acesso a água tratada e quase 100 milhões não acessam serviço de coleta de esgoto. Por isso, faz-se necessário o trabalho conjunto de cientistas, governantes e profissionais da saúde e do saneamento para que haja monitoramento do esgoto e da qualidade da água tratada.

Escrito por Luiza Mugnol Ugarte.

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